Ensino médio piora em SP, MG, AC e mais 13 Estados, diz índice de qualidade do MEC

Os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2013, divulgados nesta sexta-feira (5), em Brasília, pelo Ministério da Educação (MEC), revelam que houve piora na qualidade do ensino médio estadual ofertado em 16 unidades federativas. Além disso, o País não conseguiu alcançar a meta proposta de 3,6 para essa etapa do ensino oferecida pela rede pública. O indicador nacional para o ensino médio ficou em 3,4.

O IDEB é considerado o principal indicador educacional do Brasil. O índice é calculado a cada dois anos e as notas são contabilizadas em uma escala de zero a dez.

Dez Estados aumentaram suas notas no Ideb 2013 em relação à edição anterior: Goiás, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco, Rondônia, Espírito Santo, Acre, Distrito Federal, Piauí, Paraíba. Alagoas manteve o mesmo índice: 2,6, o pior do País.

Goiás obteve a melhor nota em 2013. São Paulo, mesmo ficando com a segunda colocação, caiu 0,2 ponto em relação ao Ideb 2011. O Estado que mais evoluiu nesta edição foi Pernambuco, que cresceu 0,5. Confira os dados completos:

UF 2009 2011 2013
Alagoas 2,8 2,6 2,6
Mato Grosso 2,9 3,1 2,7
Pará 3 2,8 2,7
Rio Grande do Norte 2,8 2,8 2,7
Bahia 3,1 3 2,8
Maranhão 3 3 2,8
Sergipe 2,9 2,9 2,8
Amapá 2,8 3 2,9
Amazonas 3,2 3,4 3
Paraíba 3 2,9 3
Piauí 2,7 2,9 3
Roraima 3,5 3,5 3,2
Tocantins 3,3 3,5 3,2
Acre 3,5 3,3 3,3
Ceará 3,4 3,4 3,3
Distrito Federal 3,2 3,1 3,3
Espírito Santo 3,4 3,3 3,4
Mato Grosso do Sul 3,5 3,5 3,4
Paraná 3,9 3,7 3,4
Rondônia 3,7 3,3 3,4
Minas Gerais 3,6 3,7 3,6
Pernambuco 3 3,1 3,6
Rio de Janeiro 2,8 3,2 3,6
Santa Catarina 3,7 4 3,6
Rio Grande do Sul 3,6 3,4 3,7
São Paulo 3,6 3,9 3,7
Goiás 3,1 3,6 3,8

Falta de prioridade

O quadro retratado pelos números do Ideb é reflexo da “falta de prioridade” da Educação no País, afirma Heleno Araújo Filho, diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

“Precisamos colocar como prioridade a execução da política educacional do País. Temos que melhorar a infraestrutura das escolas que estão em péssimas condições. Além disso, precisamos motivar mais os professores. Muitos deles são temporários, e não têm sequer direito a cursos de formação continuada” .

Segundo Araújo Filho, no entanto, o Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado neste ano, pode vir a contribuir para a melhoria do atual cenário. “Mas para cumprir as metas estabelecidas será preciso, primeiro, que os estados e municípios estabeleçam seus próprios planos. E que cada ente da federação tenha um bom diagnóstico local e elabore metas para a melhoria da educação no País”, fala o dirigente do CNTE.

E as escolas?

Feita a divulgação do Ideb, muitas escolas têm, a partir de agora, o desafio de buscar se apropriar dos dados em proveito próprio. Para isso, é “fundamental”, a comunidade escolar se “debruçar” diante do significado dos números e propor melhorias em suas práticas didáticas, afirma o presidente do Conselho Nacional de Educação, José Fernandes de Lima.

“A primeira coisa que o gestor deve propor é uma reunião com os professores e comunidade escolar para fazer um debate sobre os números. As escolas precisam ir além da média. O resultado do Ideb é apenas uma fotografia. A análise de quadro diagnosticado pela avaliação é que faz a diferença”, diz Lima.

IDEB

Criado em 2005, Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mede a evoluação qualidade do ensino brasileiro, a partir de avaliações realizadas em escolas e nas redes de ensino de todo o País.

O Ideb é calculado a partir do desempenho dos alunos do 5º e 9º ano do ensino fundamental em português e matemática e em taxas de aprovação compiladas pelo Censo Escolar.

Divulgado a cada dois anos, o índice também avalia estudantes do 3º ano do ensino médio. Além das escolas públicas, as instituição privadas participam do Ideb de forma amostral.

Por IG São Paulo

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