Operação Madeira: o dia a dia de quem ajuda na travessia dos caminhões

Há exatos 63 dias, Rondônia vive a maior tragédia natural, causada pela enchente do Rio Madeira. Com o nível que chegou a 19,70m, já são mais de 13 mil pessoas desabrigadas no estado.

O Acre também sofre com a enchente. Trechos da BR-364, que o liga ao resto do país, foram inundados pela cheia, tornando cada vez mais difícil o acesso de caminhões e carretas com produtos para abastecer a população acreana. Com isso, o governo do Acre ofereceu toda a logística possível para a passagem dos transportes de cargas pelo ponto mais crítico da enchente, entre as regiões de Velha Mutum e Abunã.

“Estive quase morto e recebi toda a assistência necessária dessa equipe. Estou aqui ‘vivinho’ pra contar a história.”

Luiz Carlos Camargo, caminhoneiro

Cerca de 20 homens do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil do Acre atuam na Operação Rio Madeira. Eles percorrem os trechos alagados com a água na cintura para fazer o balizamento. É uma técnica feita diariamente para verificar onde se formaram depressões e sinalizar os locais seguros para a travessia dos caminhões. “Devido à cheia, vários buracos se abrem na estrada e muitos caminhoneiros já caíram e ficaram presos. E, ainda, o empenho em tirá-los acaba atrasando a logística”, explicou o coronel Batista, da Defesa Civil, coordenador de toda a equipe.

Cerca de 20 homens do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil do Acre atuam na Operação Rio Madeira (Foto: Sérgio Vale/Secom)

Cerca de 20 homens do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil do Acre atuam na Operação Rio Madeira (Foto: Sérgio Vale/Secom)

Várias máquinas e equipamentos foram disponibilizados para o trabalho e, com o esforço de todos os envolvidos, no último fim de semana o trânsito de caminhões, que estava retido há mais de 20 dias, começou a fluir com rapidez. Assim, cerca de 30 transportes de cargas com produtos alimentícios e materiais de construção conseguiram passar para o Acre.

O assessor especial do governo do Acre em Brasília, Carlos Rebello, acompanha a equipe nos pontos mais críticos e descreve o trabalho realizado: “Aqui é um teatro de operações de guerra e toda estrutura necessária da logística está sendo mantida pela nossa equipe. Estamos com um volume grande de equipamentos para ajudar na travessia dos transportes de cargas, vencer os quatro quilômetros críticos e finalmente garantir o abastecimento no Acre”.

A vida dos caminhoneiros em dias de isolamento

Caminhoneiros ilhados nos pontos mais críticos enfrentam a adversidade como podem: comida e banho improvisam na fila da travessia mesmo, pois precisam cuidar das cargas, que em geral custam mais de 200 mil reais. Edmo Cordeiro achava que a viagem seria rápida e levou o filho de apenas dois anos, mas ficou ilhado em Velha Mutum durante 18 dias, momentos nada fáceis para ele: “Muito mosquito, tudo aqui temos que improvisar. Meu filho está sentindo muito a falta da mãe e reclama por causa do desconforto. Se não fosse a ajuda do governo do Acre, com alimentos e apoio dos bombeiros, isso aqui estaria pior”, desabafou.

“O Acre não tem um governador, tem um líder que se preocupa com o ser humano e se sensibiliza com as necessidades de um povo (Foto: Sérgio Vale/Secom)

“O Acre não tem um governador, tem um líder que se preocupa com o ser humano e se sensibiliza com as necessidades de um povo”, Luiz Carlos Carmago (Foto: Sérgio Vale/Secom)

Luiz Carlos Camargo, também isolado há mais de 18 dias, “nasceu de novo” após ter um princípio de infarto e ser socorrido pela equipe do Acre. “O Acre não tem um governador, tem um líder que se preocupa com o ser humano e se sensibiliza com as necessidades de um povo. Estive quase morto e recebi toda a assistência necessária dessa equipe. Estou aqui ‘vivinho’ pra contar a história”, relata, emocionado.

Logística: helicóptero minimiza o tempo para a realização dos trabalhos

Em meio a uma travessia e outra, imprevistos também acontecem. A peça de uma máquina carregadeira quebrou e outra teve que ser providenciada às pressas. Com a utilização de um helicóptero, o equipamento chegou minutos depois, o que não seria tão rápido se fosse via terrestre, causando o atraso do trabalho de travessia dos caminhões. “O serviço aéreo tem facilitado bastante na logística do transporte de pessoas, equipamentos e até de alimentação para os que estão nessa situação de isolamento na estrada. Com a aeronave, em pouco tempo se pode vencer uma distância enorme”, explicou o major Negreiros, piloto.

 

Agência de Notícias

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