Com crise, sindicato teme que taxistas não consigam 13°

Apesar de os taxistas usarem a bandeira 2 no período natalino para garantir o 13° salário, direito concedido à categoria desde 2008, o Sindicato dos Taxistas e Condutores Autônomos do Acre (Sintcac) receia que os profissionais não consigam obter o salário extra devido à crise econômica que atinge o Brasil este ano.

De acordo com Esperidião Teixeira, presidente da instituição, a classe está apreensiva e adota algumas medidas necessárias para não perder a clientela. “A expectativa não é boa. A crise atingiu todos os setores, e, como transporte é serviço, as pessoas têm outras opções. Mas a categoria oferece descontos na hora da corrida para atrair clientes”, afirma Teixeira.

O uso da bandeira 2, que iniciou na última terça-feira, 2, e seguirá até o dia 2 de janeiro, será aplicado “no perímetro urbano e em todos os horários do dia”, segundo o presidente do Sintcac. O acréscimo fica em cerca de 26%. Com esse reajuste temporário, por exemplo, uma corrida para um percurso longo de R$ 20 passa a valer R$ 24,80.

Mário afirma que movimento ainda é fraco - Foto: Regiclay Saady
Mário afirma que movimento ainda é fraco – Foto: Regiclay Saady

“A bandeirada, valor inicial cobrado, é de R$ 4,50. A cada quilômetro rodado o cliente paga esse valor mais R$ 4,40 por quilômetro rodado, que é a bandeira 1. Com a mudança para a bandeira 2, a pessoa irá pagar a bandeirada mais R$ 5,27 por cada quilômetro. O valor inicial é fixo para as duas bandeiras e não muda”, explica Esperidião.

Taxistas

Segundo o presidente do Sintcac, Rio Branco possui 612 taxistas habilitados a operar. Dentro desse total está Mário Ney Nogueira, que atua no Centro da capital. Ele comenta que o movimento neste mês está abaixo da média do que foi registrado em anos anteriores. Mas apesar desta situação, o profissional acredita que a possibilidade do 13° é garantida.

“Mesmo com o movimento fraco, sempre dá para tirar o salário extra. Em dezembro corre um dinheiro a mais. Sempre as pessoas gastam, vêm para a rua e naturalmente o movimento melhora neste mês. Mas em relação aos anos anteriores a média não vai ultrapassar. A gente espera que pelo menos chegue ao mesmo patamar”, declara Nogueira.

A expectativa, segundo Mario Ney, se dá devido ao período de chuvas que atinge o Estado nesta época, conhecida popularmente como “inverno amazônico”. O taxista afirma que durante a estação chuvosa o movimento tem acréscimo de 10% a 15%. “Aí soma com a bandeira dois, que se dá no mesmo momento, e a melhora é garantida”, completa.

Esperidião Teixeira ressalta que durante o período de cobrança da bandeira 2, os profissionais não devem fazer cobranças indevidas. O sindicalista comenta que o Código Disciplinar da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Rio Branco (RBTrans) prevê punições para quem cobrar taxas abusivas. De acordo com ele, o número de denúncias é pequeno.

Por Luan Cesar

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