Desembargador Djalma diz que governo está no caminho certo no combate à violência

Ele próprio já foi vítima da violência sem freio que assola o Acre, principalmente na Capital Rio Branco. Deu-se em julho de 2019, quando três homens armados tentaram assaltar aos homens que faziam sua segurança durante um jantar num restaurante no centro da cidade. Os seguranças reagiram, um dos assaltantes foi morto e os outros conseguiram escapar, mas foram posteriormente capturados.

No entanto, o desembargador Francisco Djalma, presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Acre (TJAC), a quem os bandidos ousaram atacar naquela noite de julho, acha que o governo do estado não está sendo omisso em relação à onda de violência. Diz o desembargador que sente e vê pelo menos boas intenções do governo de combate ao crime.

A seguir, uma entrevista com o desembargador sobre o tema da segurança pública:

O senhor, que já inclusive juiz de Direito de varas criminais, como é que, na condição de presidente do Judiciário estadual, vê o Acre convivendo com índices de crimes, principalmente contra a vida, com a média de mais de um assassinato por dia?

Francisco Djalma – É claro que isso preocupa a todos nós. Mas isso não é só um caso do Acre. O Brasil, de certa forma está tendo um problema de violência exagerado. Não víamos isso nos anos 80. Infelizmente, ocorreram algumas coisas… houve algum desencontro no decorrer desses anos e aí vem essa questão da violência, o que atribuo muito à desestrutura familiar e à falta de trabalho.

O senhor acha que o governo do estado, através de suas forças de segurança, está fazendo o combate correto à onda de violência?

Francisco Djalma – Olha, pelo menos a gente percebe que o governo tem a boa intenção de combater a violência. Todos nós estamos preocupados em combater a violência. O governo também. Mas a questão tomou uma dimensão tal que a gente vai combater a violência com as armas que gente dispõe hoje. Eu tenho a impressão de que ele [o governo] está no caminho certo – pelo menos tem boa intenção no sentido de combater a violência.

E as críticas, inclusive do comandante da Polícia Militar, de que as forças de segurança chovem no molhado, como se diz no popular, quando a polícia prende e a Justiça manda soltar? O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Francisco Djalma –Esse é um processo natural. É uma coisa que acontece e não é de hoje. A Justiça sempre agiu desta maneira. Logicamente que, com o crescimento da violência, o índice de soltura também cresce.

Como é que o Judiciário pode contribuir nesta guerra contra o crime?

Francisco Djalma –O que o Judiciário pode fazer é o que vem fazendo: julgar os processos que chegam até a nós. Isso a gente está fazendo. Evidentemente que temos que melhorar a estrutura do Judiciário, já que nós temos problemas de carência de servidores e de magistrados. Nós temos um concurso em andamento porque precisamos de no mínimo 15 novos juízes e acredito que o Estado vá dar condições para que o poder possa contratar esses magistrados.

E o chamado juiz de garantia, aprovado recentemente pelo Congresso e sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro? O Judiciário acreano terá condições de prover essa medida de ter dois juízes por processo?

Francisco Djalma – Condições talvez não tenhamos, pelo menos neste primeiro instante. Mas temos que trabalhar para viabilizar isso. Trata-se de uma determinação legal para a gente vai ter que encontrar meios para a solução.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *