Estudo do WWF-Brasil pode ajudar na prevenção de enchentes no AC

O mês de novembro chegou e com ele o período de chuvas no Acre, estado que possui em seu histórico fortes enchentes como a que atingiu, em março de 2015, a cidade de Brasileia: mais de 80% do município ficou alagado. Pensando em ajudar na prevenção de situações como essa, que prejudicam não só o meio ambiente, mas sobretudo a qualidade de vida das populações, o WWF-Brasil, com apoio de parceiros como o governo do Acre, SOS Amazônia e o HSBC, acaba de lançar a publicação “Análise das vulnerabilidades ambientais das bacias hidrográficas do rio Acre e do igarapé Judia” que detalha os problemas causados pelo uso e ocupação irregular do solo e pelas mudanças climáticas e também aponta soluções para evitar que eles persistam.

Principais problemas da região

Os dados revelam que mais da metade da bacia hidrográfica do rio Acre, de 310 mil quilômetros quadrados, e do igarapé Judia já apresentam elevados níveis de risco ecológico, o que exige ações imediatas.

O desmatamento é o grande problema da região, que apresenta a sua paisagem descaracterizada principalmente por conta da remoção da mata ciliar – a vegetação que nativa que fica às margens de rios, igarapés, lagos, olhos d´água e represas. Isso porque a região vive há décadas um intenso processo de urbanização e ocupação irregular do solo para instalação de atividades como produção agrícola, pecuária bovina, indústrias e piscicultura.

Sem a proteção da vegetação, os rios ficam desprotegidos e expostos às chuvas, que carregam sedimentos pela correnteza, provocando aumento da turbidez e do assoreamento, processo pelo qual os rios vão ficando cada vez mais rasos, provocando grandes enchentes no período das chuvas. Além disso, agravam os processos de erosão do solo. Como o solo fica desprotegido, ao chover, a água não infiltra no solo, causando enchentes.

Com relação às nascentes, as principais existentes no Igarapé Judia, no município de Senador Guiomard, apresentam alto grau de degradação, consequência do desmatamento e represamento das águas para matar a sede dos animais ou para a prática de piscicultura.

O lançamento de resíduos nos rios, a construção inadequada de moradias em Áreas de Preservação Permanente (APPs), a erosão do solo e o desperdício de água, são outros exemplos de problemas revelados pela publicação do WWF-Brasil.

Soluções e apoio na construção de Políticas Públicas

A melhoria do saneamento básico regional, a construção de açudes e a orientação técnica aos proprietários dos mesmos e a recuperação de nascentes, o reflorestamento e a conscientização dos moradores sobre os problemas ambientais são algumas das ações de adaptação propostas e detalhadas na publicação.

O objetivo da publicação é contribuir na diminuição das fragilidades ambientais da bacia hidrográfica e ajudar na construção de políticas públicas.  “Esperamos que possa servir como apoio para que o poder público e a sociedade civil organizada desenvolvam uma agenda de ações de adaptação às alterações do clima e busquem a sua implantação” afirma o especialista em conservação do WWF-Brasil, Ângelo Lima. Os resultados desse estudo também podem contribuir para a gestão integrada e transfronteiriça dos recursos hídricos: “pode estimular ações conjuntas entre os governos do Brasil, Perú e Bolívia, os três países que compartilham a mesma bacia hidrográfica”, completa o especialista do WWF-Brasil.

“O estudo também traz elementos e ações importantes para subsidiar a estratégia de adaptação às mudanças climáticas que estamos discutindo com o governo do Acre”, complementa o analista de conservação do WWF-Brasil, Eduardo Canina.

Download gratuito da publicação disponível no site do WWF-Brasil:

http://www.wwf.org.br/informacoes/bliblioteca/?47582/publicacao-analisa-as-fragilidades-das-aguas-do-rio-acre

Da Assessoria

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *