Sejudh deve desativar abrigo de imigrantes na capital ainda este mês

A chácara Aliança, que serviu de abrigo para haitianos, senegaleses, dominicanos e imigrantes de outras nacionalidades, deve ser desativada no fim deste mês. A informação foi repassada pelo titular da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), Nilson Mourão. De acordo com o secretário, de 2010 até agora, mais de 50 mil estrangeiros entraram no Brasil pelo Acre. O principal motivo para o fechamento do local seria a diminuição do número de pessoas de outros países que utilizam o Estado para entrar no país.

“O fluxo de imigrantes haitianos e de outras nacionalidades, principalmente de senegaleses e dominicanos, reduziu drasticamente. Isso a partir de setembro do ano passado. Atualmente, somente sete imigrantes estão no abrigo da capital. Em Brasileia e Assis Brasil já não existem estrangeiros. Isso se deve à desativação dessa rota que foi feita da forma apropriada sem expulsar ninguém do país, sem cometimento de nenhum tipo de violência e restrição”, salientou Mourão.

‘Estou aqui há 2 meses e espero que possa arrumar algum trabalho, pois quero trazer minha esposa e meus 4 filhos para o Brasil‘, disse o senegalês Sidya Diop
‘Estou aqui há 2 meses e espero que possa arrumar algum trabalho, pois quero trazer minha esposa e meus 4 filhos para o Brasil‘, disse o senegalês Sidya Diop

O secretário disse que tudo foi feito a partir de ações efetivadas dentro do Haiti. “O governo brasileiro reestruturou a Embaixada naquele país, fazendo com que os vistos fossem concedidos com rapidez e com pouca burocracia, derrotando, assim, as ações dos ‘atravessadores’. Hoje, qualquer Haitiano pode vir para o Brasil sem maiores problemas. Os estrangeiros que ainda chegam ao país por meio do Estado são os senegaleses, que estão recebendo toda a assistência necessária durante suas estadas.”

O senegalês Sidya Diop é um dos sete estrangeiros que ainda estão abrigados em Rio Branco. Ele falou que espera melhorar de vida no Brasil para trazer sua família que ainda vive no país africano. “Estou aqui há dois meses e espero que possa arrumar algum trabalho, pois quero trazer minha esposa e meus quatro filhos para este país. Sinto muitas saudades de todos eles. O povo daqui me acolheu com muito carinho e sou grato por tudo.”

Nilson também comentou que aproximadamente 50 imigrantes vivem no Estado. A maioria é de haitianos que trabalham na construção civil, supermercados, restaurantes e hotéis da capital. Muitos já casaram e constituíram família. “Assumimos como política de governo essa questão. Todos receberam assistência. O governador pediu que a secretaria desse atendimento humanitário a esses imigrantes, pessoas pobres do Haiti, país mais pobre do nosso continente e que foi vítima de um grande terremoto. Entendemos que a busca de uma vida melhor é direito de todo ser humano”, ressaltou o gestor da Sejudh.

 

Por Dell Pinheiro – Página 20

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