Confusão e acusações marcam fim do Arraial do Sesc

Uma confusão generalizada ocorreu no encerramento do Arraial do Sesc no último domingo, 30, após a travesti Yasmin Sales ser impedida pelos seguranças do evento de usar o banheiro feminino do local para trocar de roupa.

Como forma de protesto, Sales exibiu os seios durante a apresentação da quadrilha Malucos da Roça, da qual faz parte. Algumas pessoas se revoltaram com a atitude e a Polícia Militar foi acionada ao local pela organização do evento. De acordo com alguns presentes, os policiais da PM agiram de forma truculenta e agressiva.

Confusão ocorreu após transexual Yasmin Sales ser impedida de usar banheiro feminino - Foto: Veriana Ribeiro/G1

“Não podemos aceitar essa atitude. Na ocasião, dezenas de crianças e seus familiares estavam presentes e assistiram ao ocorrido. Todos os anos existe no local do evento, para todos os participantes das quadrilhas, um camarim de uso exclusivo dos brincantes”, disse, em entrevista a um jornal local, Débora Lopes, diretora regional do Sesc.

Lopes ressaltou que em 30 anos de evento situação parecida nunca tinha ocorrido e que “em nenhum ponto ocorreu descriminação de nenhuma natureza ou atos homofóbicos da parte administrativa da instituição”.

Associação dos Travestis do Acre

Para Raissa Carvalho, presidente da Associação dos Travestis do Acre (Atrac), a situação que ocorreu com Yasmin Sales já era prevista, já que, segundo ela, diversos locais em Rio Branco impendem os transexuais de usarem os banheiros femininos em eventos.

“Dois dias antes do fato com a Yasmin ter ocorrido no arraial do Sesc, meu sobrinho, que também é transexual, foi barrado ao tentar usar o banheiro feminino do local. Ele me comunicou sobre o fato. E no mesmo dia em que a Yasmin foi impedida pela segurança de utilizar o banheiro, outra travesti foi retirada pela segurança do evento minutos antes”, relata a presidente da Atrac.

Carvalho acrescenta que a situação ocorreu pela segurança do evento não ter tido um preparo em lidar com a situação e que a organização falhou, já que estava ciente de que transexuais, que fazem parte de muitas quadrilhas na capital, iam estar presentes no decorrer da festividade.

“Existem travestis que não se sentem bem ao usarem o banheiro masculino. Eles têm medo de incomodar os usuários, já que possuem aparência de mulher. Falaram pra a Yasmin que ela era homem então tinha que usar o local apropriado. A  justificativa da prisão por atentando ao pudor não poderia ter sido usada, já que homens integrantes da quadrilha dançavam sem blusa e Yasmin se sentiu no direito de fazer o mesmo [já que para os policiais e seguranças do evento ela é homem]”, disse Raissa Carvalho.

A presidente da Atrac afirma que a polícia agiu com excessos, truculência e abuso de autoridade e que existem vídeos que confirmam as evidências. Ela diz ainda que uma ação na justiça será movida para responsabilizar quem constrangeu Yasmin Sales.

Versão PM

O sub comandante da Polícia Militar, coronel Mário Cesar, explica que a PM apoia o evento todos os anos devido  ao grande número de pessoas que circulam nos dias da festividade. O coronel disse ainda que a confusão iniciou após “algumas pessoas do sexo masculino quererem trocar de roupa no banheiro feminino”, o que não foi permitido.

Mário Cesar disse que PM usou força devido agressão sofrida pelos policiais - Foto: Regiclay Saady

“Como forma de protesto, eles trocaram de roupa fora do banheiro, constrangendo as pessoas, as famílias e as crianças presentes. Eles foram advertidos pelos policiais pela conduta imprópria que agrediu visualmente os que estavam no local. Os integrantes da quadrilha se sentiram insatisfeitos pela intervenção da Polícia Militar. Eles desacataram e xingaram os policiais, obrigando-os a dar ordem de prisão a eles”, conta Mário Cesar.

O coronel fala que “em nenhum momento as pessoas que fizeram isso não entenderam que estavam cometendo crime de constrangimento ilegal, ato obsceno e desacato a autoridade [agredindo verbal e fisicamente os policiais]”.

“Na hora da prisão das duas pessoas no local outros integrantes da quadrilha junina, da qual os autuados faziam parte, tentaram impedir os policiais a levá-los para a delegacia. Os policiais usaram a força porque houve uma tentativa de impedimento da prisão dos dois integrantes. A instituição não age em decorrência de preconceito em questão de raça, cor, religião ou opção sexual”, esclarece o sub comandante da PM.

Luan Cesar – Página 20

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