Publicado em 8 de junho de 2018

Governo investe mais de R$ 1 milhão em nova agroindústria de palmito da Bonal

Samuel Bryan
06.06.2018 17:52

Foto: Gleilson Miranda/Secom

Localizado no quilômetro 76 da BR-364, o assentamento Projeto de Desenvolvimento Sustentável da Bonal é conhecido em todo o Acre por um produto em especial: o palmito. E com o objetivo de profissionalizar e fortalecer ainda mais essa cadeia, o governador Tião Viana autorizou na manhã desta quarta-feira, 6, o repasse de R$ 1,1 milhão para a estruturação da nova fábrica de beneficiamento de palmito da pupunha.

O repasse se deu por meio de protocolo de intenções assinado entre o governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Desenvolvimento, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis (Sedens), a Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Cooperacre) e a Cooperativa Extrativista Bom Destino (CAEB).

“Com mais de dois mil hectares de pupunha plantados aqui na Bonal nós resolvemos que tínhamos que aproveitar da melhor forma. Agora surge uma nova indústria, onde já estão chegando os equipamentos, vai gerar 20 empregos diretos e pode levar o palmito acreano até para exportação. É acreditar na agroindustrialização, no emprego com melhor renda e na prosperidade como caminho para o crescimento do Acre”, destaca Tião Viana.

Essa é mais uma etapa da construção da nova fábrica, cuja nova estrutura foi construída pelo governo Estado desde 2016, num investimento de R$ 1 milhão.

Duzentas famílias beneficiadas

Fundada como um projeto de assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a primeira fábrica de palmito da Bonal começou na década de 1990, dois anos depois de Raimundo Alves, presidente da CAEB, chegar ao assentamento.

Com a nova fábrica, 210 famílias serão diretamente beneficiadas com a entrega de palmito oriundo da pupunha. Gente como Uderlina Cavalcante, que mora há seis anos na região, produz abacaxi, colhe látex na sua terra e espera ansiosamente pela reabertura da fábrica, já que seus pés de pupunha estão com mais de três metros.

“A reabertura dessa fábrica é um projeto que vai atender as famílias, nos dar uma renda e gerar uma situação que não tem necessidade de as famílias saírem daqui para a cidade. Porque, com a reabertura dessa fábrica, muitos vão ter seu emprego próprio e vender seu produto lá, e com certeza será uma grande vitória para os moradores da Bonal”, conta Uderlina.

Raimundo Alves, presidente da CAEB, conta que a comunidade está se preparando: “Não tínhamos esperança de essa indústria funcionar. Estamos há dois anos na luta para botar para funcionar novamente e conseguimos apoio com o governo”.

Agora, a comunidade tem mais de 50 mil mudas para plantar. A capacidade hoje da região gira em torno de 300 mil pupunhas por ano, com o objetivo de chegar a um milhão nos próximos cinco anos.

Cooperacre assume

Foto: Gleilson Miranda/Secom

A nova indústria de palmito da Bonal será assumida pela Cooperacre, empreendimento que caminha com sucesso na direção do desenvolvimento sustentável, ao movimentar cerca de R$ 80 milhões por ano em negócios e contar com mais de três mil famílias cooperadas em todo o Acre.

Segundo o superintendente da Cooperacre, Manoel Monteiro, com o recurso liberado, a fábrica deve entrar em funcionamento daqui cinco meses. E a cooperativa ainda compra toda a produção de látex e frutas da região.

“Com os procedimentos terminados, a gente espera pôr para funcionar e reanime a comunidade da Bonal. Esse palmito aqui está parado há mais de quatro anos. A Cooperacre vai assumir a administração e esperamos ter sucesso.”

Os recursos para a compra de equipamentos repassados pelo governo vieram da parceria do Estado com o Banco Mundial. A solenidade de assinatura do termo de posse contou ainda com o diretor do Banco Mundial para o Brasil, Martin Raiser, que gostou de ver uma ação do banco apoiando um projeto sustentável de cunho social.

“É sempre um momento de alegria que dá esperança às pessoas. Acho que é um momento que traz parceria para o Acre e suas comunidades. São oportunidades que vão se criando, e eu tenho esperanças de que dê certo e estamos aqui para dar essa realidade”, destaca Raiser.

 

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