Publicado em 19 de dezembro de 2012

Sindmed-AC encontra irregularidades na Maternidade Bárbara Heliodora

Devido a reclamações de mortes ocorridas na Maternidade Bárbara Heliodora (MBH), os diretores do Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC) resolveram realizar uma visita ao local para verificar as reais condições da instituição. A fiscalização surpresa acabou flagrando várias irregularidades que prejudicam o trabalho médico.

Na entrada foi possível verificar que a pintura feita há três meses começou a sofrer com infiltrações e está deteriorada, situações semelhantes em outras salas, como as de repouso e uma das quatro salas do centro cirúrgico que precisou ser desativada por goteiras que causam a contaminação do ambiente.

Mesmo atendendo uma média de 3,5 mil gestantes por mês, a Maternidade dispõe de apenas um aparelho de ultrassonografia, o que resulta em uma longa fila de espera para as pacientes que deveriam ter um tratamento mais humanizado.

Uma gestante, que preferiu não ser identificada, reclamou que precisou esperar por quase três horas para realizar o exame de ultrassonografia.

“Cheguei às 8 horas, mas até agora [10h40] não consegui ser atendida”, reclamou a paciente que esperava em pé para ser atendida, por não existir cadeiras no corredor, em que fica a sala de exames.

Para atender a toda a demanda, por não existe médicos suficientes, pediatras se desdobram realizando atendimentos de urgência na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) neonatal e na enfermaria. O trabalho é realizado com a necessidade de tanta pressa que não há tempo hábil para realizar a troca de roupa.

A mesma falta de profissionais acontece nas consultas, onde seria preciso cinco médicos, mas apenas três executam o atendimento à população, um número que ficar ainda mais reduzido em decorrência da necessidade de deslocar um profissional para realizar as ultrassonografias.

Em cada setor deveria existir banheiros individuais para homens e mulheres, mas apenas um banheiro é compartilhado entre os servidores. As salas pequenas dificultam ainda mais o trabalho e o repouso que é realizado em locais insalubres, sem colchões apropriados e sem lençóis.

“O plantonista que faz 12 horas de trabalho deveria ter direito ao descanso, o que é previsto por lei, pois um atendimento de boa qualidade só pode ser realizado por profissionais descansados, mas isso não ocorre na Maternidade”, protestou o presidente do Sindmed, José Ribamar Costa.

Os médicos que realizam atendimentos de emergência acabam não tendo tempo para almoçar, com isso, eles acabam perdendo o horário da refeição e o alimento deixa de ser oferecido aos trabalhadores.

O obstetra, médico que realiza os partos, também está em falta, o que prejudica toda a escala de plantões e sobrecarregando os profissionais que estão atuando na MBH.

“Esse problema poderia ser resolvido se o Estado investisse em concurso público para a contratação de funcionários efetivos. É preciso deixar de realizar os concursos provisórios. O governo também precisa investir no profissional, pois outros Estados estão oferecendo melhores condições e atraindo nossos médicos que acabam saindo do Acre por melhores condições em outras localidades”, protestou o presidente do Sindicato.

Os sindicalistas ainda verificaram que não existe o prontuário eletrônico, prejudicando o atendimento a todas as gestantes por não existir um histórico da saúde da paciente. Na anestesia, um carinho de anestesia de adulto está sendo utilizado para atender as crianças, de forma improvisada.

“Essas adaptações não podem existir, pois a criança precisa de mais cuidados, mas o hospital disponibiliza apenas um carinho de anestesia, prejudicando o atendimento”, falou José Ribamar Costa.

O Sindmed ainda encontrou alguns corredores sujos e equipamentos – berços aquecidos – jogados pelos corredores, o que não deveria ocorrer.

O Sindmed deverá continuar com as visitas semanais por recomendação da Federação Nacional dos Médicos (Fenam). Todas as informações e fotografias serão enviadas aos órgãos competentes para que haja a melhoria do serviço público de saúde.

(Assessoria)

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