Após reunião com Ford, MPT cria grupo para coordenar inquéritos

Serão monitorados os impactos do fechamento de três fábricas da companhia, que podem afetar até 5 mil trabalhadores
(Funcionários da Ford de Taubaté, durante assembleia
CARLA CARNIEL/REUTERS – 12.01.2021)

O Ministério Público do Trabalho vai acompanhar de perto os desdobramentos do encerramento das atividades da Ford no Brasil. Após reunião com representantes da multinacional na manhã desta quinta-feira (14), o órgão criou um Grupo Especial de Atuação Finalística para monitorar os impactos do fechamento de três fábricas da companhia norte-americana, que podem afetar até 5 mil trabalhadores.

De acordo com o MPT, já existem três inquéritos civis abertos nas regiões onde a Ford deixará de produzir.

Na segunda-feira (11), a montadora americana anunciou o fechamento das fábricas em Camaçari (BA), onde produz os modelos EcoSport e Ka; Taubaté (SP), que produz motores; e Horizonte (CE), onde são montados os jipes da marca Troller.

Com base nesses três processos, foi criado o Geaf por meio do qual as procuradoras do Trabalho que comandam os inquéritos na Bahia, Ceará e São Paulo poderão atuar de forma “coordenada e estratégica” para mitigar os impactos da decisão da Ford.

Por meio de nota, o procurador-geral do MPT, Alberto Balazeiro, demonstrou preocupação com os reflexos sociais e com a empregabilidade dos trabalhadores da empresa após o fim das atividades nas três unidades. Ele ressaltou que existe toda uma cadeia produtiva do entorno da empresa que também será atingida.

Pela Ford, participaram da reunião o diretor jurídico da companhia, Luís Cláudio Casanova, o gerente de Relações Governamentais, Eduardo Freitas, e três advogados da empresa.

Segundo o MPT, os representantes da montadora repetiram os argumentos que a empresa vem sustentando para justificar sua saída do Brasil, e se comprometeram em encaminhar ao ministério público do trabalho todas as informações requisitadas sobre as demissões.

O secretário especial da Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, e o secretário de Trabalho, Bruno Dalcolmo, também participaram da reunião virtual.

O Ministério da Economia já iniciou conversas para apoiar a recolocação dos trabalhadores da Ford que vão perder o emprego com a saída da montadora do Brasil.

Uma das possibilidades é a criação de um programa específico para ajudar esse grupo de trabalhadores altamente qualificados.

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