Publicado em 9 de setembro de 2013

Enxaqueca é duas vezes mais comum nas mulheres e tem cunho genético

A dor de cabeça é a principal característica da enxaqueca, mas há outros sintomas, como náuseas, cansaço, fadiga, mal-estar, tontura, dor nas pernas, e incômodo com a luz ou barulho, que podem aparecer. “O que diferencia a enxaqueca de outras formas de dor de cabeça é que ela é pulsátil, latejante, geralmente dói de um lado só ou muda de lado, e vem com luz (fotofobia) e barulho (fonofobia). A enxaqueca é duas vezes mais comum nas mulheres que nos homens e também pode piorar durante o ciclo menstrual”, explica o neurologista Flavio Sallem, do Hospital das Clínicas.

Ele diz que alguns mitos sobre a enxaqueca dificultam a boa orientação dos pacientes. “Um estado de estresse ou ansiedade pode desencadear uma crise, mas o psicológico não causa enxaqueca, apesar de haver relatos de traumas cranianos produzirem formas da doença. Também não há uma causa vascular, mas ela pode sim levar a sintomas vasculares, como se o paciente sentisse um coração bater na cabeça. Alguns, inclusive, mostram que os vasos de suas cabeças estão mais dilatados. Mas isso é consequência de mecanismos inflamatórios em um nervo chamado nervo trigêmeo, que inerva a face, a cabeça e a parte interna do crânio”, esclarece.

Por ser de cunho genético em grande porcentagem dos pacientes, a doença pode passar de geração para geração. A enxaqueca pode também ser causa de derrames em pacientes jovens, pois leva a alterações nos vasos cerebrais (a chamada endoteliopatia, ou lesão da camada mais interna dos vasos, o endotélio). Há, ainda, relação com o ciclo hormonal feminino, com as alterações de estrógeno e progesterona.

A boa notícia é que estão sendo descobertas novas formas de tratar o problema. “Antes o tratamento era somente das crises. Hoje, além de contarmos com analgésicos e medicações específicas mais modernas (como os triptanos), temos medicações que evitam a dor, e ainda por cima auxiliam a diminuir a dor a médio e longo prazo. São os profiláticos”, afirma o neurologista. “Métodos alternativos também estão cada vez mais em voga, como acupuntura, estimulação magnética transcraniana, e mais recentemente o uso de toxina botulínica, que serve perfeitamente para o tratamento de dores crônicas e graves, ou naqueles pacientes que não toleram medicações”.

Portal UOL

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