Por que o Acre virou referência no combate ao ‘Aedes aegypti’

Combate ao mosquito no Acre: ação integrada com a comunidade – Fotos: Assis Lima

Edson Luiz

Em 2010, o estado do Acre, com sua população de apenas 790 mil habitantes, tinha nada menos que 30 mil casos de dengue registrados. O mosquito Aedes aegypti estava em toda parte e, naquele momento, o estado – como a presidente Dilma reconheceu há pouco com relação ao país – perdia a batalha para ele. Cinco anos depois, o Acre registra apenas 350 casos de dengue. A grande redução dos casos de dengue e da incidência do mosquito tem sido considerada pelo governo federal o exemplo a ser seguido. O que o Acre foi capaz de fazer é a referência para as ações que têm sido tomadas agora no país, inclusive com grande efetivo das Forças Armadas, para combater o Zika vírus, doença que também é transmitida pelo Aedes aegypti.

O Brasil foi um dos responsáveis pela decisão da OMS (Organização Mundial de Saúde) de declarar emergência de saúde pública internacional por causa do Zika virus e sua relação com a microcefalia. A decisão foi tomada depois de informações repassadas pelo país e pelos Estados Unidos, França e El Salvador. O governo brasileiro foi elogiado na OMS por ter avançado em pesquisas, mas ações isoladas e simples adotadas por alguns estados evitaram que a doença se espalhasse. Foi o caso do Acre, que diminuiu acentuadamente a presença do mosquito Aedes aegypti em todos seus 22 municípios. Em cinco anos, os casos de dengue diminuíram de 30 mil para 350.

O Acre é um dos estados situados no meio da floresta, onde a proliferação de mosquitos é comum, como o transmissor da malária, por exemplo. Mas os números alarmantes de casos de dengue acenderam o alerta no governador do estado, o médico infectologista Tião Viana (PT). Ele foi citado como referência positiva de combate ao mosquito da dengue pelo ministro da Defesa, Aldo Rebelo, que comanda 220 mil militares em ações contra o Zika virus, um dos causadores da microcefalia, que já fez quase 70 mil mortes no país e espalhou o medo pelo mundo.

‘Conscientizar a sociedade’

No Acre, de 2014 a 2015, o número de casos caiu 53%, segundo o secretário de Saúde, Armando Melo, que apesar de não ser médico, desenvolveu uma metodologia simples para evitar o mosquito que vem apavorando o mundo. “O importante é ir a campo, é mobilizar a sociedade”, diz Melo. “O que fizemos foi conscientizar a sociedade”, acrescenta o secretário, que teve sua pior experiência em um surto de dengue em Cruzeiro do Sul, a segunda maior cidade do estado. “Foi um dos maiores episódios, ocorrido em 2014”, conta ele.

Mesmo sem casos de zika, Acre está em estado de emergência
Mesmo sem casos de zika, Acre está em estado de emergência

Segundo o Ministério da Saúde, a emergência decretada pela OMS é de uma importância extraordinária que exige uma medida coordenada. “Este reconhecimento internacional deve facilitar a busca de parcerias em todo o mundo, reunindo esforços de governos e especialistas para enfrentar a situação”, diz a pasta. E foi mais ou menos isso o que fez o governo do Acre, em escala menor. “Para combatermos o mosquito, procuramos associações de bairros, Rotary, igrejas, Polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros e o Exército, além dos agentes de vigilância sanitária, entre outros”, conta o secretário de Saúde do estado.

Apesar de não haver no estado registro de microcefalia ou qualquer outra doença ligada ao Zika vírus, o Acre decretou estado de emergência na área de saúde, como fez a OMS e o governo federal. “As ações que já vinham sendo feitas serão reforçadas”, justifica Melo. Ele explicou que não existem casos, mas a medida foi adotada por uma questão de prevenção, monitoramento e de controle. O Acre é um dos estados do país que montou uma sala de controle de combate à dengue.

Mobilização

Depois de os órgãos federais terem se mobilizado para fazer uma checagem em suas próprias unidades, as Forças Armadas pretendem fazer uma das maiores mobilizações nacionais no dia 13. Pelo menos 220 mil militares serão mobilizados para orientar a população sobre como combater o Aedes aegypti. A meta, segundo o ministro da Defesa, Aldo Rebelo, é vistoriar três milhões de residências em todo o país.

Serão 160 mil militares do Exército, 30 mil da Marinha e 30 mil da Aeronáutica. Segundo o Ministério da Defesa, o contingente reunirá pessoal de todos os escalões, de praças e oficiais superiores. A ação será feita em 356 municípios. Para as 59 cidades onde não existem unidades militares, serão deslocados efetivos de outras localidades, segundo o almirante Ademir Sobrinho, chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas. “Será uma campanha de choque”, diz ele.

Na última terça-feira, 2, em nota, o Ministério da Saúde afirmou que o Brasil sempre se colocou à disposição da Organização Mundial de Saúde para fornecimento e esclarecimentos de materiais técnicos. A pasta também informou que as medidas adotadas pela OMS não restringe viagens a outros países. “Recomenda-se que as pessoas que venham a viajar para áreas de transmissão do vírus Zika tomem medidas adequadas para evitar picadas do mosquito”, diz o ministério.

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