Garis fecham entrada da Zeladoria de Rio Branco em protesto contra salários atrasados

Garis fecham entrada da Zeladoria de Rio Branco em protesto contra salários atrasados — Foto: Aline Vieira/Rede Amazônica
Ato ocorre nesta quinta-feira (4) em frente à Secretaria Municipal de Zeladoria. Trabalhadores alegam que estão sem receber já há quase três meses e que muitos estão até sem ter o que comer — Foto: Aline Vieira/Rede Amazônica

Um grupo de garis se reuniu em frente à Secretaria Municipal de Zeladoria de Rio Branco, nesta quinta-feira (4), em protesto por conta de salários atrasados. Eles fecharam a entrada da secretaria e pedem respostas quanto aos pagamentos.

Conforme a categoria, os cerca de 148 garis que trabalham na capital estão sem receber já há quase três meses e muitos estão, inclusive, passando necessidade com a falta até do que comer.

À Rede Amazônica, o secretário de Zeladoria, Joabe Lira, disse que o problema ocorreu porque o dono da empresa terceirizada havia morrido e por isso a prefeitura ficou sem ter como repassar o valor.

“O dono da mepresa faleceu e por isso tem todo um trâmite legal. Ficou sem ter como fazer movimentação na empresa, então, a gente tinha que esperar a justiça nomear uma pessoa para tratar junto com a secretaria para a gente fazer os repasses. O vínnculo dos trabalhadores não é com a secretaria, é com as empresas terceirizadas.

Lira disse que agora a secretaria já tem como fazer os repasses e que a situação deve ser solucionada. “Vamos fazer os pagamentos para a empresa, pois foi nomeado o inventariante e a empresa que tem que pagar os servidores na verdade. A prefeitura já está fazendo os repasses essa semana”, garantiu.

No último dia 11 de fevereiro, um grupo de trabalhadores já havia protestado em frente à secretaria por conta de salários atrasados.

A responsável pelo setor de recursos humanos de uma das empresas contratadas para limpeza de Rio Branco, Mari Viana, informou que a empresa não recebeu nenhum documento por parte da secretaria informando o motivo do atraso nos repasses.

Segundo ela, os gestores da secretaria informam à Câmara de Vereadores e à mídia que os atrasos são por conta de irregularidades nas empresas, no entanto, a representante afirma que não há nenhuma formalização sobre o que precisa ser regularizado.

“Ele vai na Câmara, na mídia, e fala que é culpa da empresa, cadê o documento? Ele tem que oficializar. Tem que dizer que a empresa está irregular e tem que tratar com os gestores, não com os garis, que estão trabalhando. O gari está fazendo o trabalho dele, não é porque ele tem um problema com a empresa que vai prejudicar 148 garis. O que tinha de problema com a empresa era que o proprietário faleceu no dia 4 de janeiro, mas a juíza já deu alvará permitindo que o inventariante tomasse a responsabilidade e o que está faltando agora? A parte da empresa até agora foi cumprida. Não consigo nem dormir com os garis ligando, garis com fome, expulsos de seus alugueis, garis sendo presos”, disse Mari.

Ato ocorre nesta quinta-feira (4) em frente à Secretaria Municipal de Zeladoria — Foto: Aline Vieira/Rede Amazônica

Ato ocorre nesta quinta-feira (4) em frente à Secretaria Municipal de Zeladoria — Foto: Aline Vieira/Rede Amazônica

O gari Railam Rodrigues trabalha há 1 ano e quatro meses no local e contou que chegou a ser expulso do apartamento que morava com a família por não ter conseguido pagar o local devido o atraso nos salários.

“A situação aqui está feia para todo mundo. Antigamente, quando estava na outra gestão, nunca atrasava, sempre no dia certinho estava na conta, já quando entrou esse pessoal agora, vai fazer três meses que a gente não recebe. Tem funcionário aqui que já foi expulso de apartamento, eu sou um, fui expulso do apartamento que morava com minha família, tenho dois meninos pequenos, tive que vender meu carro para terminar de pagar as contas, porque eles não pagam a gente”, reclamou.

Rodrigues disse ainda que a situação de alguns colegas é delicada. “Tem dois garis aqui da nossa equipe mesmo que tivemos que fazer sacolão para eles, tirar do nosso bolso para fazer um sacolão para nossos amigos. Situação difícil. Teve um que disse que só tinha farinha e açúcar para comer e está com menino recém-nascido, como fica nossa situação?”, desabafou.

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