Publicado em 29 de agosto de 2013

Como lidar com a fissura do cigarro

“Vontade é uma coisa que dá e passa.” A frase, utilizada desde os tempos da vovó, pode ser um alento para quem está tentando parar de fumar. Resistir ao ímpeto de levar um cigarro à boca, no entanto, não é tarefa fácil. “A pessoa precisa saber o que vai enfrentar: as crises de abstinência. Vai ter desejo, perder concentração, ficar mais irritada, pode acontecer de engordar. Mas é importante entender que essa fase passa e que a primeira semana é a mais difícil. Mas essa vontade vai diminuindo”, afirma Ciro Kirchenchtejn, pneumologista coordenador do centro de tratamentos para dependentes da nicotina HelpFumo.

Em geral, afirmam os especialistas, a abstinência dura 40 dias. A intensidade e frequências dos sintomas vão depender do grau de dependência da nicotina de cada individuo. Para avaliar o paciente, os médicos aplicam um questionário com perguntas simples como qual a quantidade de cigarros consumidas por dia, se fuma logo nos primeiros minutos depois que acorda, se sente necessidade de fumar após a refeição e se tem dificuldades de ficar sem fumar mesmo quando está doente.

“Se o grau de dependência é grande, é muito difícil parar sozinho. Para isso existem os tratamentos, vale a pena procurar um profissional”, aconselha Jaqueline Ota, pneumologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Com esse resultado em mãos, o especialista pode indicar ou não um tratamento medicamentoso ou um adesivo de nicotina, ou ainda um acompanhamento psicológico. De acordo com pesquisas norte-americanas, os índices de sucesso são maiores quando o paciente alia duas terapias. (link) Adesivos, gomas de mascar e outros suportes podem ajudar a evitar a fissura. “Quem usa medicação tem suporte maior para parar na primeira tentativa. Além disso, tem menos tendência a ganhar peso”, diz Ciro. “É preciso entender o fumante como alguém doente que precisa de remédios para conseguir largar do vício”, completa.

Além disso, o suporte psicológico e familiar é importante para saber vencer os momentos de crise. “A vontade vai existir, por isso é importante ter apoio. Se ninguém fuma em casa, se os amigos respeitam e não oferecem cigarro, se ninguém fuma no mesmo ambiente, fica menos difícil”, alerta Jaqueline Ota.

Além dessas dicas, os especialistas mostram o caminho para superar essa fase:

– se já tentou parar de fumar outras vezes, avalie atitudes positivas e negativas da época
– fique atento aos gatilhos que levam ao cigarro e tente eliminá-los provisoriamente. Para algumas pessoas, é o álcool, para outras a comida ou o cafezinho, fique alerta
– avise os amigos e familiares da sua decisão para que eles evitem fumar na sua frente
– quando sentir vontade de fumar, beba água. Para isso, ande sempre com uma garrafinha a seu lado
– se você tem vontade de fumar logo após as refeições, escove os dentes imediatamente após que comer. A vontade diminui
– jogue fora tudo o que remeta ao fumo como maços de cigarro e cinzeiros
– não compre maços de cigarro
– tenha palitos de cenoura à mão. Quando sentir vontade de levar um cigarro à boca, coma um deles
– tenha chicletes na bolsa. Eles substituem o prazer oral do cigarro
– pratique atividades físicas, com o tempo elas reduzem a vontade de fumar
– se foram indicadas pelo seu médico, as pastilhas ou chicletes de nicotina são suas aliadas no combate ao fumo
– se tiver uma recaída, não abandone a decisão de parar de fumar. Encare como um lapso e volte ao início

Chris Bertelli, iG Saúde

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