Consumo consciente da água deve ser incentivado desde a infância

Dados do Trata Brasil, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), formada por empresas com interesse nos avanços do saneamento básico e na proteção dos recursos hídricos do país, mostram que 85% dos brasileiros são atendidos com abastecimento de água tratada. O consumo médio de água no país é de 153,6 litros por habitante ao dia, mas as perdas ainda superam os 30% de toda água tratada e distribuída. O maior desperdício é  na região Norte, 55,14% em média. No Acre, esse índice chega a 60%, entre perdas no sistema, nas residências e também de faturamento.

Para gestores da concessionária de serviços de água e saneamento do estado, o consumo consciente da água tratada é um questão social e de saúde, que requer ações educativas que possam contribuir para uma mudança de atitude.

Nesta perspectiva, o Governo do Estado, por meio Departamento Estadual de Água (Depasa) em parceria com a Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esportes (SEE) desenvolve nas escolas de rede pública nova série de ações educativas com o objetivo de incentivar o consumo consciente da água.

“Quando chegamos ao Depasa, identificamos o alto índice de desperdício e a ausência de ações efetivas que pudessem mudar isso. Foi com esse propósito que criamos o Núcleo Sócio Pedagógico do Depasa, inicialmente na capital e agora também com ações no interior do estado”, informa o diretor presidente do Depasa, Zenil Chaves.

Ações educativas envolvem crianças e adolescentes Foto: Assessoria Depasa

A primeira ação foi a campanha de combate ao desperdício lançada no dia 22 de março, Dia Mundial da Água, em parceria com a Agência  Reguladora dos Serviços Públicos do Acre (Ageac).  A campanha ganhou força na Expoacre 2019 e depois levada também para os municípios. Já lançada a campanha em Cruzeiro do Sul e Sena Madureira, as ações continuam pelas regiões do Juruá e Purus.

Nesta semana, o trabalho envolveu alunos da escola Walfredo Guedes Monteiro, em Sena  Madureira. As atividades incluíram palestras e visitas à estação de água do município. “A gente iniciou na quinta-feira, com visitas à estação de tratamento, os alunos ficaram encantados com tudo que a gente trabalhou na sala de aula, na estação, mostrando todos os procedimentos que ocorrem com a água antes de chegar às residências. Muitos não imaginavam o trabalho que é esse processo”, informa Raquel Santos, responsável pelas ações do Núcleo Pedagógico do Depasa em Sena Madureira.

Bem atenciosa em todas atividades, Jane Vitória falou sobre  a importância do consumo consciente  da água tratada . “Muita gente tem e desperdiça deixando outros sem água. A gente tem que ter mais consciência do que está fazendo para não desperdiçar a água”.

Para a professora Maria Aparecida a atividade foi bem proveitosa. “Estou bem satisfeita e acredito que haverá um rendimento bem elevado que vai com certeza mudar o quadro em cada bairro e quem ganha é a comunidade. São temas que a gente leva pra sala de aula, trabalha com as disciplinas que os alunos possam ser cidadãos conscientes e também levar pra casa as informações sobre o desperdício de água”.

A atividade com as crianças é um trabalho gratificante. Esperamos que além de crescerem conscientes, essas crianças possam ser também nosso multiplicadores”,  conclui Raquel. Além do apoio da SEE, em Sena Madureira, as ações do Núcleo Sócio Pedagógico do Depasa contam com o apoio da Secretaria Municipal de Educação.

Consumo consciente e infância

Para os educadores, ações educativas como as realizadas pelo Depasa e também pela SEE nas escolas deve  ser um trabalho de ação e reflexão, que possa implicar em mudança de atitude, podendo iniciar mesmo na infância. O tema pode ser abordado em praticamente qualquer componente curricular, seja em Matemática, Ciências ou Geografia, é sempre possível transmitir para o aluno a necessidade de refletir. No caso da temática água, a criança vai tomar consciência de como a água se encontra na natureza e vai chegar na vida dela. Na maioria das vezes por meios de projetos pedagógicos relacionados ao tema. As estratégias de aprendizagem variam conforme a faixa etária.

No 1º e 2º  anos as atividades são mais lúdicas, no 3º ano os alunos já realizam  pesquisas, buscam soluções. Nos 4º e 5º anos, as crianças já colocam mais a mão na  massa,  produzem vídeos que retratam a situação do desperdício. “Um trabalho bem amplo onde se desenvolvem várias ações, mostrando a questão da saúde que envolve a temática água potável, doenças, desperdício, e também trabalhando a visão das crianças para que, embora ainda pequenos, eles possam entender  que o índice de desenvolvimento humano da população é medido também pela  qualidade da água, pelo acesso à água.

Se a gente quer ser um país evoluído precisa  tomar consciência do que é esse recurso e como a gente deve utilizar”, lembra a pedagoga e assessora pedagógica dos anos iniciais da Secretaria de Estado de Educação, Ana Lúcia Bertoncini.

Na opinião da especialista, ações educativas como essas permitem à criança  argumentar, investigar, e com  atividades que permitem à criança conhecer, refletir, e tomar uma atitude,  transformar o aluno num protagonista.

“A temática da água envolve a criança, ela é significativa para a vida dela, porque todo mundo precisa da água pra viver. Trabalhar esses temas contribui para que a criança interaja mais, participe, opine, construa soluções, mesmo que seja um tema preocupante, é um tema gostoso de trabalhar porque a gente percebe o envolvimento das crianças”, destaca Ana Lúcia.

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