Estudo aponta que Acre superou pico de Covid, mas pesquisador diz que momento ainda é de atenção

Com o aumento do número de leitos e Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), e algumas medidas como o isolamento social, uso obrigatório de máscaras, entre outros, o Acre passou pelo pico dos casos de Covid-19, segundo projeções feitas pela Universidade Federal do Acre (Ufac).

O estudo do Centro de Saúde e Desporto do curso de medicina da Ufac, apontava que, caso o estado não conseguisse frear o avanço da doença, as mortes poderiam variar de 289 a 500 somente em Rio Branco, a depender da oferta e resposta ao tratamento. E entre 700 a 2 mil em todo estado. Até esta terça, a capital registrou 404 óbitos, dentro do previsto na pesquisa.

Lançado em abril, as projeções do estudo apontavam que o pico da doença seria na segunda quinzena de maio e seguiria até início de setembro, quando seria registrado o fim da primeira onda da doença, o que foi confirmado pelo professor e presidente do Comitê de Gerenciamento de Crise da Covid-19 da Ufac, Odilson Silvestre. Ele disse que, desde a segunda quinzena de junho, o estado começou a sair do pico da doença.

“Não há mais o pico. A gente já saiu do pico faz tempo, que é aquela área mais alta da curva. Então subiu e depois veio descendo devagarzinho. Subiu rápido e veio descendo devagar. Então nós temos uma situação de maior conforto agora, mas, sem aliviar os cuidados”, explicou.

Em uma comparação dos casos, no dia 12 de junho, o boletim diário da Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) tinha registrado 207 casos novos da doença e um número total de 9.295 infectados e mais 254 mortos.

Já no final dom mês, no dia 30, eram contabilizados 107 casos novos e o estado chegava a somatória de 13.253 casos. O número de óbitos era de 365.

Até esta terça-feira (22), o Acre registrou 27.246 casos de Covid-19. Foram 140 casos novos em 24 horas. O número de vítimas fatais é de 651.

‘Redução contínua’

“Agosto já começou a ter menos casos. Claro que as coisas estão reabrindo, as pessoas estão se conectando um pouco mais, abriram algumas atividades. Às vezes, a gente tem visto que aumenta um pouco o número desses casos, conforme avança de uma faixa para outra. Isso pode acontecer, mas, a gente não teve aqui a caracterização de uma segunda onda. Pode acontecer de a gente ter um aumento do número de casos, de forma sustentada, de forma que assuste. Mas, o que a gente está vendo é a redução contínua dos casos”, afirmou.

Pela segunda vez consecutiva, o Comitê de Acompanhamento Especial da Covid-19 decidiu manter o Acre na faixa de atenção, representada pela cor amarela. Os representantes afirmaram, no dia 2 de setembro, que não houve melhora no cenário para avançar para a faixa de cuidado, simbolizada pela cor verde.

“O pico de mortes e de casos foi na primeira quinzena de junho. Depois disso, começou a ter um decaimento e esse pico, você vê que não foi tão alto. Aqui no Acre não teve caos, porque, justamente teve isolamento social, foi um dos locais que teve os melhores índices de isolamento e distanciamento”, explicou.

Sem exames para análise

O pesquisador disse que o isolamento social foi crucial para que o estado não enfrentasse situação de caos. E a criação de leitos de enfermaria e Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) que também contribuíram para que a situação não agravasse no estado.

Até segunda-feira (21), a taxa de ocupação é de 31,1%, uma vez que dos 90 leitos de UTI específicos para casos graves de pacientes com Covid-19, 28 estavam ocupados. Os leitos de UTI estão concentrados em Rio Branco, com 70 vagas, e Cruzeiro do Sul, com 20.

Além disso, no boletim da Sesacre de segunda não havia nenhum exame sendo analisado.

“O pico reduziu porque a doença tem essa característica. Acredito que 10% a 20% das pessoas tiveram contato com a doença e isso dá uma certa imunidade coletiva. Ajuda na imunidade chamada por rebanho, então, teve muita gente que teve contato e, de uma certa forma, isso ajuda a doença a não progredir”, pontuou.

Para o professor, se mantido o cuidado, a tendência é que continue reduzindo até que os casos não sejam registrados mais como epidemia.

“O que é provável, em se mantendo todo esse cuidado, os casos vão reduzindo e vai chegar num momento em que a gente vai chamar isso de endemia, existirão casos, mas, não vai ser em condição de epidemia, que é quando tem muitos casos surgindo. Mas, isso depende muito de alguns fatores que a gente não tem controle e até do nosso comportamento como sociedade e as medidas do governo”, concluiu.

G1

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