Júri de trio suspeito de matar adolescentes após feira agropecuária é suspenso devido à pandemia

Julgamento estava marcado para o dia 1º de abril deste ano. Um dos réus também teve pedido de habeas corpus negado pela Justiça após apresentar sintomas de Covid-19.

O júri popular do trio suspeito dematar três adolescentes que desapareceram após saírem da Expoacre no dia 5 de agosto de 2018 foi suspenso por conta da pandemia do novo coronavírus. O julgamento, na 2ª Vara do Tribunal do Júri, estava marcado para o dia 1º de abril.

A informação foi confirmada ao G1pelo advogado de um dos acusados, Silvano Santiago. Segundo ele, ainda não há uma nova data para ocorrer o júri popular dos três acusados.

O Tribunal de Justiça informou que, por conta da pandemia, a Justiça disse que só tem realizado audiências de instrução.

Os adolescentes Vitor Vieira de Lima, de 18 anos, Amanda Gomes, de 14, Isabele Silva Lima, de 13, desapareceram no dia 5 de agosto de 2018 e foram achados mortos no bairro Taquari.

Clenilton Araújo de Souza, Francimar Conceição da Silva e Luiz Gonzaga são acusados de homicídio triplamente qualificado, estupro e ocultação de cadáver.

“Acredito que a partir do dia 15 de junho se possa retornar as audiências presenciais, que é quando teremos então uma possibilidade de remarcar esse júri”, informou o advogado.

Santiago é da defesa de Clenilton Araújo de Souza e disse ao G1 que, inclusive, entrou com um último pedido de habeas corpus para o acusado após ele apresentar sintomas da Covid-19. Mas, o pedido foi negado, segundo o advogado.

“Com relação aos pedidos de liberdade para ele, vários foram feitos e todos negados. Agora por último ele apresentou sintomas da Covid, a gente também fez um pedido para o juiz a respeito disso, mas, como não tinha o exame, o juiz negou. Depois apareceu o resultado [do exame], mas mesmo assim é uma recomendação do STJ, que infelizmente não tem sido devidamente aplicada no estado”, afirmou Santiago.

Audiências

Em junho do ano passado, o trio passou pela segunda audiência de instrução e julgamento. A Justiça informou na época que, das seis testemunhas que seriam ouvidas na segunda audiência, somente uma foi intimada.

As demais intimações não foram concluídas porque as pessoas não foram localizadas. Os três réus também foram ouvidos.

A primeira audiência ocorreu no dia 8 de maio de 2019 e não foi concluída por falta de testemunhas. Durante a audiência, o Ministério Público sugeriu que uma das vítimas, a adolescente Amanda Gomes, foi estuprada antes de ser morta. A ossada de Amanda foi achada no dia 23 de agosto de 2018.

Denúncia

A 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Rio Branco aceitou a denúncia do Ministério Público do estado (MP-AC) contra o trio em janeiro de 2019 e eles viraram réus no processo.

Souza e Silva foram presos no dia 6 de outubro de 2018 e estão no Presídio Francisco D’Oliveira Conde, em Rio Branco. Já Luiz Gonzaga foi preso no dia 13 de março do ano passado, após meses foragido.

Outros dois homens foram presos suspeitos de participação nos crimes.Amauri Sandro foi preso, no dia 31 de outubro de 2018, e Rafael Sidarta Messias, de 18 anos, foi preso no dia 11 de março do ano passado. Eles dois não chegaram a virar réus no processo.

O ciúme teria sido a motivação para a morte dos adolescentes, de acordo com o delegado da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) que investigou o caso, Rêmulo Diniz.

Amanda Gomes (esq.), Isabele Lima e Vitor de Lima sumiram no domingo (5) quando saíram para a Expoacre — Foto: Arquivo da família

Desaparecimento e mortes

Vitor Vieira de Lima, de 18 anos, Amanda Gomes, de 14, Isabele Silva Lima, de 13, desapareceram no dia 5 de agosto de 2018. Lima foi achado dias após o sumiço. De acordo com o delegado, ele foi esfaqueado e atirado dentro de um poço ainda vivo e morreu afogado. Já Isabele foi achada morta em uma área de mata.

No dia 23 de agosto de 2018, os ossos de Amanda foram encontrados pela polícia. A ossada estava em formato de triângulo. Outra particularidade é que faltavam quatro dentes da parte da frente no crânio e havia sinais de que o corpo da vítima tinha sido queimado.

Por Iryá Rodrigues, G1 AC 

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