Mulher que levou 13 facadas do marido no AC diz que vivia sob ameaças por conta de ciúmes: ‘não podia sair de casa’

Após ficar 18 dias internada, sendo 14 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do pronto-socorro de Rio Branco, Zuleide Pessoa, de 40 anos, que foi esfaqueada pelo marido dentro de casa em Rio Branco, falou sobre o relacionamento abusivo que vivia. Ela deu detalhes sobre o dia em que levou ao menos 13 facadas.

Zuleide foi ferida na frente do filho de 11 anos e da neta, de 5, no Conjunto Joafra no último dia 21 de abril. O marido, principal suspeito, fugiu após o crime. No dia seguinte, o carro dele foi achado com um corpo carbonizado dentro no Ramal do Ouro, Rodovia Transacreana.

No dia 4 de maio, o corpo foi liberado para o enterro sem ser identificado. Mesmo que o exame não tenha saído, familiares alegam que a vítima é Cassius Cley Souza Costa, de 37 anos, marido de Zuleide.

Ela teve alta do hospital há 15 dias. Em casa, ela diz que se recupera dos ferimentos, mas que ainda sente muitas dores no braço e no ombro, além de cansaço, já que as facadas atingiram seus pulmões. Ela conta sobre a discussão que teria motivado o crime.

O casal estava sentado no sofá quando a mulher pegou o celular para ver um catálogo que a prima dela tinha enviado. Segundo o relato, nesse momento, o marido perguntou com quem ela estava conversando e eles começaram a discutir.

“Eu já estava com meus nervos à flor da pele, porque a gente já vinha discutindo sempre por causa de ciúmes dele e dei dois tapas no peito dele. Ele pediu que eu batesse mais, levantou do sofá e veio para a dispensa. Continuei sentada, jamais imaginei que ele tinha ido pegar uma faca. Quando ele voltou com as mãos para trás, senti que ele ia fazer algo comigo e pedi que não fizesse nada, nessa hora já senti a facada na minha perna”, lembra.

Foram várias facadas pelo corpo, nas pernas, braços, costas, enquanto ela tentava se defender. Durante o ataque, Zuleide pediu que o filho de 11 anos ligasse para a mãe do marido e ela ainda conseguiu falar com a sogra e avisou o que estava acontecendo. Após as facadas, o homem fugiu do local em um carro.

Crises de ciúmes

O casal estava junto há três anos e, segundo a mulher, desde o início do relacionamento, o marido sempre foi muito ciumento. Mas, as brigas foram ficando mais constantes um ano antes do crime.

“Foi ficando uma coisa fora de sério, eu não podia sair de casa e quando saía, ele ia atrás de mim ou queria saber onde eu estava. Onde eu estivesse, tinha que mandar foto para ele. E isso foi me sufocando, era um constrangimento que eu passava. Eu já tinha pedido para ele que se achava que eu não era uma pessoa digna de confiança, que a gente se separasse. Mas, ele dizia que não ia embora”, conta.

Eram muitas as ameaçadas sofridas por Zuleide. “Ele dizia que um dia ia pegar alguma coisa. E que ele me mataria e depois se matava. Isso ele sempre deixou claro para mim. Era muito ciúme, ele via coisa que não existia”.

Suposta morte do marido

Sobre o corpo que foi encontrado carbonizado em um carro um dia após ter sido esfaqueada supostamente ser do marido, Zuleide diz que não tem certeza e que, inclusive, ainda teme pela vida. Ela afirma que, como não chegou a ver o cadáver, não tem como confirmar que seja Costa.

“Eu não sei se o corpo é dele e isso também ainda me perturba muito. Até porque eu não vi, sei que o carro é realmente o que ele andava, agora se era ele ou não, não sei. Preciso ter uma resposta, tenho medo de ele saber que eu não morri e vim tentar terminar. Vivo aqui só com meu filho, minha proteção é só de Deus mesmo”, diz.

A assessoria de comunicação da Polícia Civil informou que, devido existir a suspeita de quem é o homem, os familiares assinaram um documento e o corpo foi liberado para o sepultamento. Porém, mesmo com esse documento, o homem foi enterrado sem confirmação da identidade e só depois do exame de DNA, se der positivo, é feita a identificação.

Família diz que não há dúvidas

Em reportagem publicada no dia 8 de maio, um tio do homem, Moisés Barbosa, informou que a família aceitou receber o corpo, mesmo antes do resultado do exame de DNA, porque reconheceu que era o do sobrinho e afirma que ele não foi enterrado como indigente.

De acordo com o tio, a identificação pôde ser feita porque o sobrinho tinha uma platina no braço esquerdo, que foi colocada após uma fratura.

“Ele não foi enterrado como indigente. Como o corpo estava irreconhecível, então só seria pelo DNA, mas a família foi receber o corpo. Indigente não tem nome e é a prefeitura quem enterra, quando a família não vai lá. No caso, a família foi e recebeu o corpo e no cemitério já saiu o nome dele. No IML eles dizem o provável fulano de tal”, explicou o tio.

Barbosa disse ainda que falta apenas o documento do IML afirmando que se trata do sobrinho, quando sair o resultado do DNA. Segundo a Polícia Civil, não há previsão para o resultado do DNA.

G1

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