Publicado em 11 de agosto de 2017

Polícia Federal deflagra Operação Brigada de incêndio

Para desarticular um esquema de fraudes em licitações públicas para venda e manutenção de extintores de incêndio, a Polícia Federal no Acre (PF-AC) deflagrou na manhã desta sexta-feira, 11, a Operação Brigada de Incêndio.  Durante a ação, realizada em Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Manaus, os agentes apreenderam veículos de luxo e um jet ski dos investigados. Ao todo, seis mandados de condução coercitiva e oito de busca e apreensão foram cumpridos.

Segundo a PF, 11 órgãos públicos federais, estaduais e municipais no Estado foram vítimas da prática ilícita. Pelos cálculos iniciais da polícia, mais de R$ 2 milhões foram desviados pelas empresas que participavam das fraudes. Jacob Melo, delegado de Combate a Corrupção da PF-AC, explicou que o esquema funcionava da seguinte maneira: as empresas que comandavam as negociatas utilizavam diversos números de CNPJs para participar de uma mesma licitação.

“A princípio, descobrimos dois núcleos e cada um deles usava vários CNPJs. O primeiro utilizava quatro CNPJs distintos e o outro utilizava sete CNPJs diferentes para cometer as fraudes. Por esses números, identificamos algumas empresas e realizamos diligências nelas. Acreditamos que os atos criminosos iniciaram em 2014. Todo o esquema era organizado e comandado aqui de Rio Branco, tendo ramificações em Manaus e Cruzeiro do Sul”, afirmou Melo.

A PF-AC suspeita que servidores públicos também estejam envolvidos, as investigações para confirmar a participação estão em andamento. Ainda de acordo com o delegado, o esquema criminoso não se limitava apenas as fraudes. Lavagem de dinheiro também era praticada pelos donos das empresas envolvidas. “Eles [os empresários] estavam gozando de patrimônios muito superior a renda declarada sem comprovação lícita desse dinheiro, alguns deles em nomes de terceiros”.

Apenas uma prisão foi realizada durante a Operação Brigada de Incêndio. Um dos investigados foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. O delegado acrescentou que apesar de várias empresas estarem envolvidas, somente uma era responsável pelas propostas entregues, já que as demais serviam como laranjas. “Como só uma empresa estava enviando propostas de várias outras empresas, não estava havendo competição real”, complementou Jacob.

“A partir de hoje, essas empresas que participaram essas fraudes em licitações estão proibidas de contratarem com o Serviço Público. A Justiça Federal já está emitindo os ofícios direcionados aos órgãos públicos para informa-los dessa restrição. Queremos evitar que esse tipo de fraude continue se perpetuando, vamos apresentar as provas para a Justiça e órgãos públicos vítimas desse esquema para mostrar o tamanho do dano causado por essa prática”, finalizou o delegado.

Luan César – Página 20

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