Publicado em 31 de agosto de 2013

Por falta de provas, Justiça Boliviana liberta mototaxista que ficou quase 300 dias preso

Depois de quase 300 dias recluso no presídio de Vila Buch em Cobija-Pando- Bolívia,  o mototaxista Eronildo da Silva Lopes, 46 anos, casado e pai de 6 filhos, foi inocentado de todas as acusações pela plena Corte da Justiça boliviana .

Era por volta das 19 horas do último dia 24, quando a família de Eronildo recebeu a informação da justiça boliviana de que o mototaxista brasileiro preso em 26 de outubro de 2012, acusado de formação de quadrilha, ameaça de morte e extorsão estava livre e nada consta naquele país contra o cidadão brasileiro.

Ainda no dia 24, parentes e amigos viraram a noite comemorando a liberdade de Eronildo na residência do senhor Raimundo Lopes e Dona Antônia, pais do acusado. Na manhã de sábado 25, as comemorações ganharam o carinho de outros amigos que queriam abraçar e chorar junto com familiares a liberdade de um inocente.

Aurélio César, que liderou o movimento dia 15 de novembro de 2012, obstruindo as pontes que dão acesso a Cobija, pedindo respostas quanto a soltura de Eronildo, disse que chegou a ser processado pela sua atitude em parceria com os mototaxistas, mas que está muito feliz nesse momento. “Estou vendo aqui a alegria, eu andei cerca de 8 quilômetros a pé do ramal do 17 para pegar o transporte e vir para cá. O rapaz é querido do povo e tem bons procedentes dentro da comunidade”, comemorou ele.

Para o senhor Raimundo Lopes, essa vitória é de todos que acreditam na justiça, mas a luta de Dona Antônia foi muito maior. “Eu sofri muito, mas minha esposa lutou até o fim pela liberdade do Nildo, ela sempre esteve na rua procurando um e outro e eu tinha que ficar aqui pra cuidar da propriedade, mas graças a Deus veio a vitória que eu pedia todo dia”, falou ele chorando.

Nesse período em que Eronildo esteve preso em Cobija, várias mobilizações aconteceram por parte dos amigos e da classe dos mototaxistas tentando sensibilizar as autoridades para que tomassem alguma providência com relação ao caso.O processo de Eronildo foi acompanhado pela Dra. Jackeline e pelo cônsul do Brasil na Bolívia Dr. Guilherme  Barbosa.

O amigo Francisco de Melo, se deslocou da cidade até a residência em que comemoravam a liberdade de Eronildo no Km 13, para levar todo carinho à família. “ A verdade é que faltam palavras pra gente dizer alguma coisa, mas eu tenho certeza que a justiça foi feita”, falou.

Um dos  momentos mais marcantes e emocionantes aconteceu com a chegada do filho primogênito de Eronilton, Cabo do Exército Brasileiro Ivonaldo da Silva Lopes, pai e filho que se abraçaram e choraram  por mais de 5 minutos. “Eu estava em Rio Branco sem contato com ninguém e quando peguei meu celular tinha uma mensagem da minha esposa dizendo que meu pai estava solto e já se encontrava na colônia, eu flutuei, saí do chão, não tem como descrever, vai mudar nossa vida esses 10 meses em que ele esteve preso. Ele foi injustiçado, a gente lamenta, mas agora é só comemorar e bola pra frente”. disse ele.

Em meio a lágrimas, dona Antônia da Silva Lopes, 64 anos, mãe de Eronildo, comenta alguns momentos tristes vivenciados nesse período em que seu filho esteve preso. “Eu agradeço primeiramente a Deus  por que pedi a liberdade de meu filho e hoje estou aqui com ele, Deus libertou meu filho por que sabia que ele nada devia, peço até que Deus perdoe aqueles que diziam que meu filho era culpado”.(Chorou),

(Informações Sentinela da Fronteira)

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