Redução de abates no Acre pode elevar preço da carne e Fieac busca solução com o governo

A informação de que centenas de bezerros estariam sendo levados do Acre para serem abatidos em Rondônia gerou uma série de preocupações à indústria frigorífica do Estado. Para tratar do assunto, o programa Boa Conversa desta sexta-feira, 17, trouxe ao ac24horas o presidente da Federação das Indústrias do Acre (Fieac), José Adriano, que explanou sobre os problemas que esse suposto “desvio” de animais pode provocar na economia local, principalmente no preço final da carne bovina ao consumidor.

Adriano explicou ao jornalista Marcos Venicios que o principal interesse da Federação é defender a permanência do gado no Estado para garantir a sobrevivência das empresas locais e a manutenção dos empregos gerados por elas no Acre. Ele destaca que, embora a indústria local já tenha muitos avanços em sua bagagem, ainda restam alguns importantes desafios a serem vencidos.

Diante da pandemia do novo coronavírus, a carne, um produto de primeira necessidade aos consumidores, faz parte de um setor que emprega mais de mil pessoas diretamente no Estado e cerca de 3 mil indiretamente. Com 20 indústrias frigoríficas habilitadas para atuar, a classe pede um olhar mais atencioso por parte do Governo do Acre para a questão do abate de gado e a saída do animal para outros estados.

“Estamos preocupados porque o setor frigorífico tem um compromisso com a estabilidade da economia, tanto pela arrecadação que traz para o Estado, quanto dos empregos gerados. Queremos, sim, abrir o mercado internacional e melhorar ainda mais a condição de geração de empregos àqueles frigoríficos que tiverem condição de exportar o produto para outros países e, assim, dar uma melhoria para toda a cadeia”, disse o presidente da Fieac.

Uma projeção fez a Federação observar que o setor não teve um crescimento, como era esperado, mas uma recuperação no primeiro trimestre de 2020. “Se não tivermos equilíbrio com a forma com que o governo observa essa discussão no setor, pode levar um reflexo negativo na cotação de preço lá na frente”, cometa Adriano sobre o preço da carne bovina.

Desde 2016, o setor vem enfrentando uma redução no número de abates. Naquele ano foram 453.595 mil animais. Em 2017, 427.053 mil gados; em 2018, 425.104 mil; em 2019, 416.498 mil animais. E a estimativa para este ano é de uma queda no abate para 407.622 mil bovinos. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As indústrias acreanas estão operando com alta ociosidade (39,12% de ociosidade nas indústrias habilitadas com SIF) e (74,14% indústrias habilitadas com inspeção estadual e municipal).

Uma reunião está marcada entre os representantes da Fieac com ministros e embaixadas (Peru e China) em Brasília para ocorrer na próxima semana e tentar conseguir apoio para realização de vistoria e autorização ao Estado para que possa iniciar esse processo de exportação a outros países melhorar as condições dos frigoríficos locais. “Estamos brigando para que as indústrias frigoríficas permaneçam no Estado e que consigamos junto ao governo federal expandir a produção desse produto acreano a outros países”, afirma.

Alguns supermercados acreanos já apresentam dificuldade em conseguir arrecadar determinados cortes, o que pode, futuramente, caso os bezerros continuem sendo levados para o estado vizinho, acarretar num alto considerável no preço da carne diante da demanda de procura. “O que preocupa é a saída de muitos bezerros hoje num formato que está sendo autorizado pela justiça, com esse bezerro saindo e não sendo considerado o retorno dele para o Acre. Hoje já temos uma alta procura por parte da população, imagina daqui a dois anos, depois de muitos bezerros terem saído sem reposição: a procura vai ser maior e os supermercado vão ter dificuldade de colocar o produto na prateleira e, quando colocado, com uma majoração de preço”, salienta o presidente.

A Fieac aponta que são necessárias atitudes com relação a essa saída dos animais. “Não estamos discutindo quem está certo ou errado, mas precisamos chegar num entendimento para que isso não traga problema para a indústria frigorífica”, diz Adriano, ressaltando que, em termos de rebanho, o Acre está abaixo do que seria o ideal. “Rondônia tem cerca de 14 milhões de cabeças e o Acre em torno de 3 milhões, mas a situação em relação à nossa logística também deve ser levada em consideração”. Segundo ele, Rondônia tem exportação para outros países enquanto que o Acre ainda tenta fazer essa evolução.

Tudo o que a Federação planeja é atravessar esse momento de crise gerado pela pandemia com apoio do poder público e da sociedade. “Precisamos olhar para os dois lados da equação do setor produtivo. Estamos pedindo um olhar diferente para que possamos vencer juntos essa dificuldade e fazer com que o Estado enxergue que deve fomentar o consumo local. Nesse momento o dinheiro tem que ser internalizado no nosso Estado para manutenção dos postos de trabalho e dos empregos que a gente precisa”, conclui o presidente.

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