Gilmar Mendes: “sabiam de rebelião e nada fizeram”

Gilmar Mendes
Gilmar Mendes

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes comentou, em entrevista à Rádio Bandeirantes nesta quinta-feira, a chacina em um presídio de Manaus, no Amazonas. “Fico muito afetado com o fato de que as autoridades já sabiam que a rebelião ia ocorrer, tinham indícios, e não fizeram. Ter identificado a situação e não ter feito é mais sério ainda”, disse.

Para o ministro, o assunto segurança pública tem sido “extremamente negligenciado”. “Não temos partidos ou forças políticos colocando o tema na agenda. Quando o assunto é priorizado é no sentido da violência. Não há sistema de inteligência”, criticou o ministro, que já foi presidente do STF e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Além das graves situações nos presídios do Brasil, Gilmar Mendes também lembrou de outros assuntos que, segundo ele, mereciam mais acompanhamento. “Nossas fronteiras estão vulneráveis, todo sistema de tráfico… Não há ninguém acompanhando de maneira sistêmica. Diante da gravidade da situação, o Ministério precisa fazer algo”, disse. “É um problema grande, da nação, a união tem que entrar nesse jogo”, completou.

Governo de Manaus sabia de plano de fuga em presídio; assista

Mendes acredita que a situação caótica nos presídios seja culpa de várias autoridades e órgãos. “Temos órgãos, funcionários competentes, mas as ações estão descoordenadas, descontinuadas e ineficientes. É preciso encarar esse problema com seriedade”, disse.

Ressarcimento de presos

Durante a entrevista à rádio, o ex-presidente do STF reforçou a importância d ressarcimento de presos na sociedade. “Fizemos uma pesquisa e descobrimos que a sociedade não se importante de onde o preso está e em qual condição se encontra. Só que essas pessoas esquecem que serão soltos e voltarão ao convívio da sociedade”, afirmou. “O Brasil hoje tem o maior índice de reincidência do mundo, é um índice alto e grave. Temos que enfrentar a questão”, disse.

Para exemplificar a questão, Mendes contou casos de pessoas que foram presas por roubar algo no mercado, são levados à prisão e saem de lá como peões das organizações criminosas.

O ex-presidente contou, inclusive, que possui funcionários no Supremo que já foram detentos. “É [o exemplo] um bom resultado. O Supremo adotou, no TSE [Tribunal Superior Eleitoral] também. É tentativa de estimular a comunidade, para que abra a chance para as pessoas. Esse processo precisa ser ampliado em projeto global”.

Em um cenário ideal dentro dos complexos penitenciários, os presos trabalhariam nesses locais, mas Mendes explica que “o quadro de superlotação é tão caótico que situação é inimaginável”.

“Há muito o que fazer. O grande problema do Brasil é que não somos um país paupérrimo, mas temos recursos mal alocados. Nós podemos fazer mais e não estamos fazendo”, criticou o ministro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *