Publicado em 19 de março de 2013

Discriminação? Menos, menos…

Por Beneilton Damasceno*

 

Não sou homossexual, mas respeito homens e mulheres que têm essa “orientação”. Condeno qualquer ato de desrespeito à categoria, e, apesar da tímida estatura e da esqualidez, não hesito em armar um barraco contra quem recorrer a qualquer método degradante contra o ser vivo.

Há uns 25 anos, por aí, testemunhei, indignado, certo jovem, junto com outros dois, lascar um tapa nos glúteos opulentos de um cidadão de seios embrionários e short curtinho, isso às 2 da tarde, na área comercial onde hoje funciona a Loja Marisa, no centro da cidade.

Hoje cinquentão no auge da decadência, a vítima – prefiro omitir o “nome de guerra” -, que não mais exibe as pernas estilo Rihana da época, com as quais matava de inveja as patricinhas do high society, não pôde reagir: apenas gritou, languidamente, “poxa!”, enquanto o trio malfeitor desembestava ladeira abaixo rumo ao Palácio das Secretarias, sendo acompanhado, com espanto, pelo olhar atônito dos transeuntes. Eram outros tempos, e ficou por isso mesmo. Infelizmente!

Bom, o que me deixa surpreso é ver e ouvir esses grupos, que já não considero minorias – quatro ou cinco latinhas de cerveja ajudam a confirmar minha presunção -, reclamarem sem parar ser alvo de homofobia, que virou o termo da moda. Fazem paradas e protestos, e arrastam milhares de simpatizantes, com apoio total da mídia, mas insistem em se considerar segregados. Tudo é felicidade ao som de Gloria Gaynor. Interessante é que Rick Martin, George Michael, Elton John e uma miríade de celebridades nacionais, como jogadores de futebol e apresentadores de TV declaradamente homossexuais, são tratados com mesuras dignas de chefe de Estado.

Gente, vamos parar com essa histeria barata e se convencer de que quem sofre discriminação nesta Terra de Vera Cruz e, principalmente, em qualquer lugar do mundo ocidental, é o miserável, é o zé-ninguém, aquele que não sabe qual o gosto de uma uva – seja hetero, seja homo, não vem ao caso.

Nas lojas chiques, nos restaurantes badalados, nas baladas promovidas por colunáveis de A a Z metidos a besta, o tratamento é diferenciado, quando não humilhante. Isso é fato, com menção inclusive bíblica. Ninguém vê gays e lésbicas de classe média-alta se queixando de maus-tratos físicos ou verbais. O problema é a diferença de não deter bens materiais nem dívidas estratosféricas, e pronto! Para resumir: pobre!

Por isso, essa moçada que encabeça atos “pelo fim da discriminação” deveria atentar para a situação da doméstica, por exemplo, que, por não ter outra opção de renda, submete-se aos caprichos do insuspeito patrão de paletó e gravata; da mãe de seis filhos que lava roupa o dia inteiro e leva porrada do companheiro antes de dormir porque o feijão (quando existe) não ficou bem cozido na panela; da moça mal vestida que sequer é observada na loja chique graças ao vestido de gata borralheira, o melhor que seu guarda-roupa abrigava…

Depois disso, a gente pode começar a falar de respeito, dignidade ou coisa parecida!

 

*Jornalista

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