Haitianos em São Paulo: mais um show de preconceitos

Haitianos no Acre pode, afinal, isso é coisa para as periferias tratarem. O Acre, estado rico em hospitalidade, e de gentes bondosas, é quem deve assumir esse “ônus”.

Haitianos em São Paulo não pode! O sul maravilha, desenvolvido e branco não “tem condições de cuidar dessas calamidades”. Sucessivos governos no Estado mais rico do país desmontaram o que restava de Estado Público. E derreteram também todo vestígio dos velhos humanismos.

As “calamidades” somos todos: Haitianos, pretos, indígenas ou quilombolas, da zona leste de lá, ou do morro de acolá, os meninos assassinados pela Rota, pinheirinhos. Somos também Grajaú, o “reassentamento” forçado de pessoas. Cabemos todos nesse balaio que a Casa Grande teima em extirpar do país. Mas teimosos somos nós, que seguimos, apesar de…

Água faltando na maior cidade do Brasil, preconceitos saindo pela tampa dos casarões dos senhores de engenho da elite paulista. Querem passar alvejantes em nossas raivas dignas, transformando a solidariedade aos povos do mundo numa querela mesquinha, puro cálculo.

São Paulo seguirá resistindo, e na maior metrópole de nossos brasis os haitianos daqui e de lá haverão de encontrar braços que acolham. Por aqui, num longínquo país chamado Acre, continuaremos sorrindo da janela para quem precisar chegar. De nossas dignidades nunca há de faltar aos haitianos do mundo um abraço amigo.

Possidônio Correia de Alcântara – Historiador

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