Publicado em 4 de setembro de 2013

Por que o debate dos médicos me deixa feliz

Leio pelos jornais a explicação de um médico que, depois de aprovado, desistiu de uma vaga no programa Mais Médicos: “Salário de R$ 10 mil mensais é uma miséria”.

Lembremos: R$ 10 mil mais ajuda de custo.

Muitos dos desistentes reclamam das condições de trabalho. Apenas agora fizeram essa descoberta sobre a saúde pública.

Esse tipo de desistência joga luz em outro problema, ainda pouco debatido: quanto vamos ter de pagar para levar os melhores professores para as periferias?

A maravilha desse debate sobre o Mais Médico é que aprofundou e popularizou a discussão sobre a saúde no Brasil – só isso já mereceria ser comemorado.

Mas serve para a educação: é um desafio em todos os lugares. É especialmente grave nas periferias dos grandes centros e regiões rurais.

Atrair os talentosos professores para as periferias é tão complexo quanto levar bons médicos para lugares distantes.

Nessa discussão – saúde e educação – está a agenda que realmente importa no país. E este pegando, levando o país, a começar da mídia, a desenvolver um olhar mais profundo ao que realmente importa.

Por isso, apesar de ficar incomodado e sentindo vergonha com a incompetência do governo, a xenofobia e a histeria de associações médicas, fico feliz com esse avanço da consciência brasileira.

Gilberto DimensteinGilberto Dimenstein ganhou os principais prêmios destinados a jornalistas e escritores. Integra uma incubadora de projetos de Harvard (Advanced Leadership Initiative). Desenvolve o Catraca Livre, eleito o melhor blog de cidadania em língua portuguesa pela Deutsche Welle. É morador da Vila Madalena.

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