Publicado em 22 de novembro de 2012

Pica ou alotriofagia: a pessoa tem apetite por coisas ou substâncias não alimentares

Terezinha de Freitas Ferreira*

Alotriofagia ou Pica, é uma sindrome rara em que a pessoa tem apetite por coisas ou substâncias não alimentares, tais como: terra, moedas, carvão, giz, tecido, cinza de cigarro, cola, sabonete, detergentes, pasta dental, fósforos, etc. Pode ter também uma vontade anormal de ingerir produtos considerados ingredientes de alimentos, ou seja, diferentes tipos de farinha, de tuberosas cruas como batatas, amidos  de milho ou de man-dioca, entre outras, sendo que a substância típica ingerida tende a variar com a idade.

O vocábulo Pica vem do latim que significa “pega” (um pássaro da família dos corvos, conhecido por comer tudo que encontra pela frente). Já a palavra alotriofagia  significa: “alotrio” = estranho; e “fagia” significa comer.
A síndrome acomete pessoas de todas as idades, mas especialmente as mulheres grávidas. Assim, além de elas sofrerem riscos durante a gestação, a doença pode afetar também a criança.
No caso das crianças, as mais acometidas, são especialmente aquelas que sofrem dificuldades em seu desenvolvimento infantil normal.

Também afeta a pessoas mentalmente doentes, nas quais é especialmente perigoso porque tratam inclusive de ingerir objetos afiados (acufagia).

Na maioria dos casos, conforme alertam alguns especialistas, o transtorno apresenta remissão, somente após vários meses. Vale ressaltar que a Pica ou alotriofagia não é um comportamento exclusivo dos homens. Ao contrário outros animais como gatos, cachorros, ovelhas, elefantes e cavalos, ingerem substâncias como ossos, terra, madeira, papel, etc.

SINTOMAS
O principal sintoma da Pica é o consumo compulsivo de substâncias não nutritivas por um período de pelo menos 1 (um) mês e de acordo com a Wikipédia (2012), dentre eles estão:

Geomelofagia (comer frequentemente batatas cruas); Geofagia  (ingerir terra ou solo); Ctonofagia (ingerir terra ou argila); Amilofagia (comer amido de milho ou mandioca); Lithofagia (comer pedras).

A maioria dos autores consultados indica que, para ser considerados pica ou alotriofagia, tais hábitos precisam estar presentes, por pelo menos por um mês durante um período de vida dentro do quadro de desenvolvimento humano, ou seja, quando não se considera normal.

Ainda conforme esses autores a prevalência do transtorno nos indivíduos portadores de Retardo Mental, aumenta de acordo com a gravidade do retardo. Nesses indivíduos, porém, o comportamento pode diminuir durante a idade adulta.

CAUSAS
A causa real desta desordem, ainda é desconhecida, mas existem várias teorias que tentam explicar a sua origem.

De acordo com Cordás (2012), um desequilíbrio emocional pode ser a causa da alotriofagia. Ela também pode estar ligada tanto à carência alimentar ou deficiência de vitaminas e sais minerais. O organismo tenta buscar esses nutrientes justamente nessas substancias: terra, tijolo. Logicamente que não vai conseguir, porém é uma resposta do organismo a essa carência.

Outros autores assinalam que a condição freqüentemente deixa de ser diagnosticada. Na maioria das vezes, o diagnóstico ocorre, somente quando as pessoas apresentam alguma das várias complicações médicas gerais resultantes, a exemplo do envenenamento, problemas mecânicos nos intestinos, obstrução intestinal, etc.

TRATAMENTO
O tratamento adequado será rea-lizado após se estabelecer os fatores etiológicos, bem como as possíveis complicações. Neste sentido, de acordo com a substância ingerida será empregada a técnica que mais se adéqua ao caso.

Com a finalidade de controlar os enjôos, estresse ou depressão, alguns medicamentos podem ser empregados.

As vitaminas podem reverter a pica ou alotriofagia, mas em muitos casos o tratamento exige considerações psicológicas, ambientais, etc.

Em outros casos porém, conforme assinalam alguns autores, a terapia leve de aversão tem sido útil e tem servido para modificar o quadro de pacientes sofrendo dessa condição.

A terapia leve de aversão consiste em associar o comportamento de Pica a um “castigo” acompanhado de um reforço positivo realcionado a uma adequada alimentação.

Outros autores advertem que, fazer tratamento acompanhado pelo especialista da área, ou seja, o psiquiatra também ajuda bastante.

COMPLICAÇÕES
A Pica ou alotriofagia pode produzir sérias complicações e danos à saúde. Dentre as complicações mais graves, conforme assegura Fittipaldi (2012), estão: as úlceras, às obstruções gastro-intestinais ou rompimentos no estômago e hemorragia digestiva.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto – Ufac. Consultora Editorial da Revista Brasileira em Promoção da Saúde da Unifor e Revista de Saúde.Com., da UESB.

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