Publicado em 1 de fevereiro de 2013

Polícia desmonta quadrilha ligada ao PCC comandada por presidiários no Acre

A Polícia Civil do Acre desarticulou na manhã desta sexta-feira, uma das operações de maior sucesso, no que se refere ao combate à criminalidade no Estado. Trata-se da maior facção criminosa do país, o PCC – Primeiro Comando da Capital, um verdadeiro “sindicato do Crime”, que planejava assaltos, sequestros, assassinatos e o tráfico de drogas dentro do presídio Francisco de Oliveira Conde.

Ao todo foram expedidos 39 mandados, desses, 34 foram destinados à penal, de onde detentos, inclusive o líder da quadrilha, o paulista Tiago da Silva Gomes, que cumpri pena por latrocínio, controlavam a máfia e recrutavam novos discípulos ao comando. A polícia identificou dos 39 presos, 8 chefões da facção, sendo dois deles presidiários de outros Estados.

Na linha de frente das apreensões e prisões, 130 polícias civil e militar, além de nove delegados conduziram a operação batizada de “Diáspora”, cujo significado é dispersão. Embora tenha nascido em São Paulo no ano de 1993, onde seu poder é maior até hoje, o PCC também invadiu as “fronteiras” e está presente em vários estados brasileiros, como Rio de Janeiro, Bahia, Alagoas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais e Rondônia.

Graças à ação rápida e eficiente da polícia acreana, em uma investigação que iniciou em novembro do ano passado, com mais 2.160 horas de acompanhamento permanente, o primeiro braço da facção criminosa – Primeiro Comando da Capital foi desmontado com sucesso, conforme frisou o subcomandante da Polícia Militar, Paulo César.

De acordo com o secretário de Polícia Civil, Emylson Farias, o principal aliado do comando era o telefone celular, presente dentro de quase todas as celas da penitenciária. Com eles os chefes do PCC davam suas ordens do crime para outras cadeias e para os que estavam do lado de fora. A polícia aprendeu drogas, celulares, e muitas anotações com planilhas, estatuto do comando, nomes de integrantes do PCC, datas e valores referentes à venda de drogas e compra de armas.

“Diante de uma situação dessa grave e perigosa a polícia do Acre conseguiu agir com rapidez e presteza, assim como a transferência desses criminosos para outros presídios da Federação. É importante deixar claro, principalmente para a opinião pública, que uma pessoa que é iniciada no PCC não interessa se ela vai ser presa ou vai ficar em liberdade, tendo em vista que a prisão e até um prêmio, já que todos eles têm que fazer uma contribuição mensal para a organização manter suas famílias. Pelo menos 15 assaltos de grandes vultos foram evitados, e três ordens de execução foram frustradas. Estamos dando um golpe forte em uma célula criminosa que estava querendo se instalar no Estado do Acre. Mas ressalto mais uma vez, que o olhar tem que ser contínuo e a batalha tem que ser diária. Todas as instituições, todos os poderes tem que está sempre apostos para que a gente não permita que o PCC –, esse câncer não entre na sociedade acreana”, ressalta Farias.

As autoridades policiais acreditam que nenhum Estado teve uma ação tão eficaz para impedir a ramificação da facção criminosa, como a que foi realizada no Acre. Seis, dos oito membros que lideravam a organização criminosa no Acre serão transferidos neste sábado a presídios de outros Estados.

Desabafo de um delegado

Um dos momentos que chamou atenção durante coletiva de imprensa foi o desabafo do delegado Alcino Ferreira, da Delegacia Antiassalto da Polícia Civil (DAPC). “Identificamos que cada membro tinha uma função bem definida dentro da organização. Hoje conseguimos apreender um livro que fecha com a investigação, contendo anotações dos valores que financiam o crime. Valores que são utilizados para a compra de armas na fronteira com Brasiléia, pouco policiada, e pouca fiscalizada. Verificamos a droga vindo, e descendo do Acre para o Sul e Sudeste. A maconha vindo do Paraguai para o Acre. São pequenos relatos para vocês verificarem como realmente estamos desguarnecidos de fronteira, como investimento na segurança ainda é muito aquém do necessário aqui no nosso Estado”, relata.

Alcino destacou ainda que, 60% dos roubos de médio a grande porte são ordenados de dentro do presídio, enfatizando o assalto frustrado na Lanchonete Bob´s, que a polícia evitou graças ao monitoramento dos integrantes do PCC.

“Nos últimos dias, os roubos que antes eram mediante de só grave ameaça, hoje acontecem mediante de violência. Disparo de arma de fogo, gente lesionada, bandido entrando em casa de família, rendendo crianças. Justamente o perfil violento que o PCC vem trazendo. Entrada de celulares e drogas no presídio é de praxe, o que não é mais segredo para ninguém. No final do ano, a polícia trabalhou evitando roubo em dois postos de gasolina onde os cofres iriam ser arrancados, e a gerente foi monitorada pelo PCC para ser sequestrada. Então estamos diante de coisas maiores. Portanto, a gente precisa ter uma atenção para a segurança. Eu me preocupo quando a gente vê, por exemplo, a polícia civil engatinhando com situação de pessoal. É um desabafo, mas eu precisava dizer. Essa operação contra o PCC foi feita com o mínimo, com o que tínhamos”, desabafa Alcino.

Coletiva

 

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