Publicado em 14 de novembro de 2017

Amazon Bonn reafirma compromisso de estados brasileiros e anuncia cooperações internacionais

Pela primeira vez estados da Amazônia Legal se unem para realizar um evento, em parceria com o governo Federal e organizações de cooperação nacional e internacional durante uma Conferência do Clima (COP) da Nações Unidas (ONU). O Amazon Bonn, realizado nesta terça-feira, 14, foi marcado pelo espírito de união e integração, mas também por discursos que pedem mais conscientização na necessidade de avançar em parcerias para implementação de políticas públicas e privadas que permitam que os objetivos do Acordo de Paris sejam alcançados, principalmente no que se refere ao desafio de zerar a taxa de desmatamento ilegal até 2030.

Sediado no Museu de Arte Contemporânea de Bonn, na COP23, na Alemanha, o evento teve um ponto muito debatido no que se refere ao papel dos estados subnacionais que estão cumprindo metas a partir do desenvolvimento de suas políticas públicas, e a necessidade desses protagonistas terem mais apoio.

Nove estados brasileiros, representados pelo Fórum de Governadores da Amazônia Legal, reforçaram sua atuação conjunta na organização deste evento e reafirmaram acordos com governos da Alemanha, Reino Unido e Noruega que são apoiadores de iniciativas de governos estaduais do Brasil e de outros países, em escala subnacional.

Em parceria com o Ministério do Meio Ambiente do Brasil, o evento teve participação do ministro Sarney Filho, que na abertura relatou os avanços ocorridos na política ambiental brasileira, ressaltando que o momento é uma boa oportunidade para o país continuar avançando no modelo de Desenvolvimento Sustentável.

Na ocasião, o ministro anunciou em primeira mão dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), atualizados na última segunda-feira, 13. Os números apontam redução do desmatamento em 16% em relação ao ano anterior, sendo 28% deste índice nas Unidades de Conservação Federal.

Amazon Bonn teve o apoio da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GiZ), do banco alemão de desenvolvimento KfW, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e da Força Tarefa de Governadores para o Clima e Florestas (GCF). O evento serviu para importantes anúncios da Noruega, Alemanha e Reino Unido, países que se contabilizarmos desde o início da parceria com o Brasil, em 2012, terão destinado até 2020, cinco bilhões de euros para a conservação das florestas tropicais.

Noruega

O ministro do Clima e Meio Ambiente da Noruega, Vidar Helgesen, anunciou que seu país vai continuar colaborando com o Brasil. “As florestas tropicais são como turbinas para a redução das emissões de carbono. A proteção florestal não é um luxo, é uma necessidade. Sabemos da responsabilidade que o Brasil tem, pois estamos acompanhando e nos orgulhamos de ser parceiros nesse processo, e o encorajamos a continuar, mas sabemos da necessidade de termos mais parceiros engajados”, ressaltou.

Alemanha

O vice-ministro para a Cooperação Econômica e de Desenvolvimento da Alemanha, Thomas Silberhorn, pontuou a importância da parceria do seu país com o Brasil, por meio do Fundo  Amazônia, e de projetos realizados diretamente com os estados da Amazônia. Ele ressaltou que esse compromisso é contínuo para que a redução do desmatamento aconteça, e fez questão de reforçar que é possível realizar o crescimento econômico com a conservação ambiental, desde que as condições sejam dadas para isso acontecer, e nesse sentido ressaltou que as parcerias são fundamentais entre governos, sociedade civil e setor privado.

A Alemanha assinou o repasse de 33,9 milhões de euros para o Fundo Amazônia, 10 milhões de euros para o Acre e 17 milhões para o Mato Grosso, por resultados já alcançados na redução do desmatamento.

O vice-ministro Silberhorn também chamou a atenção para o fato do  Brasil precisar concentrar esforços para a proteção das terras indígenas do país. “Eles nos mostram que é possível viver em harmonia com a natureza”, ressaltou ao anunciar que a Alemanha está disposta a investir mais 35 milhões ao Fundo Amazônia, por novos resultados que precisam ser alcançados quanto à redução de desmatamento.

Reino Unido

De maneira objetiva, Kate Hughes, representante da ministra da Economia, Indústria e Mudanças Climáticas do Reino Unido, Claire Perry, reforçou o compromisso do Brasil com a conservação das florestas tropicais, buscando uma atuação de forma conjunta com a Noruega e a Alemanha, no que diz respeito a experiências já existentes e bem sucedidas, como é o caso do banco alemão, KfW, com o estado do Acre, e agora, com o Mato Grosso. Hughes disse também que seu governo vai trabalhar na conscientização de possíveis novos parceiros. “Vamos colaborar com 43 milhões de euros que serão destinados ao programa REDD Early Movers, realizados no  Acre (20 milhões) e Mato Grosso (23 milhões), e 19 milhões para os governos brasileiro e peruano”, ressaltou.

Amazônia

Como porta-voz desse grande esforço subnacional, o governador do Pará, Simão Jatene, falou em nome dos demais oito governadores da Amazônia Legal, e ressaltou que o Amazon Bonn simboliza a união que traz a mensagem aos demais estados do Brasil e ao mundo as possibilidades, limites e compromissos que todos devem ter quando o assunto é mudança climática.

Jatene fez questão de traduzir o sentimento de todos os governadores, que acreditam que uma atuação federal no comando e controle é essencial e foi responsável por resultados importantes, mas que é a atuação de governos em escala estadual que vai permitir a continuidade de bons resultados.

Novos olhares, respeito às tradições

O governador Tião Viana traduziu a participação do cacique Kayapó, Raoni, como uma grande lição de vida (Foto: Sérgio Vale)

O governador Tião Viana traduziu a participação do cacique Kayapó, Raoni Metuktire, como uma grande lição de vida. O líder indígena foi convidado para representar todos os índios do Brasil, na abertura do Amazon-Bonn. Chamando todos de irmãos, ele pediu mais união. “Somos de uma única origem e precisamos estar juntos novamente”, disse.

“O cacique Raoni deu uma admirável lição ao dizer que estão destruindo muitas áreas, muitas florestas, o calor está aumentando, as comunidades também, e que podemos unidos fazer algo melhor para nossos filhos e netos. Com simplicidade, Raoni nos deixa a mensagem de como o mundo deve agir se quer alcançar resultados para a melhoria da qualidade de vida”, comentou Tião Viana.

Os resultados das discussões do Amazon-Bonn serão fundamentais para fortalecer o sentido dessas duas palavras tão faladas em todos os discursos, união e integração, envolvendo não só a sociedade amazônica, mas o mundo, na consolidação de uma visão de futuro para o desenvolvimento da Amazônia que promova uma economia de baixa emissão de carbono, com proteção e uso sustentável das florestas tropicais, para o equilíbrio e a adaptação às mudanças do clima.

Estiveram presentes no evento autoridades brasileiras e internacionais, representantes de agências de fomento, instituições financeiras, projetos empresariais com foco em sustentabilidade, organizações da sociedade civil, populações tradicionais e indígenas.

Agência de Notícias do Acre

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